Vendas e atendimento

Como vender decoração pela internet: o frete que se paga pelo tamanho, a vela que é da Anvisa e o quadro que dá processo

Para vender decoração pela internet, use caixa do tamanho da peça (o frete cobra a medida), embale vidro como o guia manda e declare o valor (sem isso, os Correios pagam até R$ 25,63), revenda vela e difusor só com número da Anvisa e venda quadro só com imagem liberada.

Por Thiago Bastos13 min de leitura

A almofada custa R$ 89 e pesa 600 gramas. No Mercado Livre, o frete dela é cobrado como se pesasse mais de 5 kg. E o vaso de R$ 150 que chegou quebrado? Sem seguro, os Correios pagam no máximo R$ 25,63.

Decoração é o produto bonito que dá mais dor de cabeça no envio. Pesa pouco e ocupa muito, quebra, às vezes é inflamável, e o quadro pode ter uma imagem que não é sua. A resposta curta:

Arte com 5 regras para vender decoração pela internet: caixa do tamanho da peça, porque decoração paga frete pelo tamanho e não pelo peso; embale como o guia manda, porque mal embalado o correio não paga a quebra; valor declarado na peça cara, porque sem ele os Correios pagam no máximo R$ 25,63; vela e difusor só de fabricante regularizado na Anvisa, e artesanal não é exceção; e quadro só com imagem liberada, porque foto da internet e personagem dão processo

Vale a pena vender decoração pela internet?

Vale, para quem aguenta vender devagar. O varejo de artigos para casa movimentou R$ 129,5 bilhões em 2025, 12,7% a mais que em 2024, segundo o IEMI para a ABCasa (a conta inclui móveis).

Nas lojas da Nuvemshop, Casa e Decoração teve o 2º maior valor médio de pedido em 2025: R$ 478, contra R$ 262 da média. Só que pouca visita vira compra, e 81% dos carrinhos ficam pelo caminho.

Arte com os números de casa e decoração na internet em 2025, nas lojas Nuvemshop: valor médio do pedido de R$ 478, contra R$ 262 da média de todas as categorias; só 0,50% das visitas viram compra, contra 0,75% da média, uma das taxas mais baixas; e 81% dos carrinhos são abandonados. Fonte: NuvemCommerce 2026

A boa notícia é a troca: casa devolve pouco. No 1º semestre de 2026, cama, mesa e banho teve 5% de devolução e móveis, 3%, contra 12% a 18% da moda (Confi e Aftersale). E sobra margem: no varejo de móveis, iluminação e utilidades, ficaram R$ 40,70 de cada R$ 100 vendidos em 2024, depois de pagar a mercadoria (IBGE).

Quem compra decoração pensa antes de levar. Por isso, vídeo da peça no ambiente, medida escrita e frete claro na página fazem mais diferença aqui que desconto.

Quanto custa o frete de um produto de decoração?

Depende mais do tamanho da caixa que do peso. Correios, Mercado Livre e Shopee cobram o maior entre o peso da balança e o peso pela medida (comprimento x largura x altura ÷ 6.000). Peça de decoração quase sempre perde para a medida.

Arte com 3 exemplos de frete pela medida no Mercado Livre e na Shopee: um quadro de 60 x 90 x 4 cm que pesa 2 kg paga 3,6 kg; um vaso de 30 x 30 x 40 cm que pesa 2,5 kg paga 6 kg; e uma almofada de 45 x 45 x 15 cm que pesa 0,6 kg paga 5,06 kg. No Mercado Livre, a almofada de R$ 89 paga R$ 25,95 de frete em vez de R$ 14,45, 80% a mais. Medidas e pesos de exemplo

Nos Correios há um alívio: até 5 kg pela medida, vale o peso da balança. Por isso o quadro do exemplo paga 2 kg lá e 3,6 kg no Mercado Livre e na Shopee.

Três jeitos de pagar menos:

  • Caixa do tamanho da peça, com o enchimento necessário e sem sobra de vazio.

  • Medida certa no anúncio. O Mercado Livre mede o pacote e pode ajustar o custo do envio se a medida for diferente da informada.

  • Entrega própria na sua cidade para a peça grande, como cadeira, espelho ou vaso de chão.

E confira se a peça cabe. Cada canal tem um limite:

Canal

Maior lado

Soma dos 3 lados

Correios (PAC e SEDEX)

100 cm

200 cm

Mercado Livre, agência ou coleta

200 cm

300 cm

Shopee Express

120 cm

200 cm

Shopee, postando nos Correios

70 cm

200 cm

Shopee Entrega Rápida

50 cm

90 cm

Fora do limite, a Shopee cobra R$ 50 de taxa de volumoso por envio. No Melhor Envio, a categoria Casa teve o maior tamanho médio de caixa de 2025 e frete médio de R$ 33,52.

Como embalar vidro e cerâmica para enviar pelo correio?

Do jeito que os guias oficiais mandam, porque os Correios não indenizam encomenda mal embalada e o Mercado Livre não cobre dano em item sem a proteção pedida. O que os três guias (Correios, Mercado Livre e Shopee) pedem:

  1. Embrulhe cada peça separada, com pelo menos 3 voltas de plástico-bolha.

  2. Use caixa resistente e ponha divisória de papelão entre as peças.

  3. Preencha todo o vazio com papel ou outra proteção, para nada se mexer.

  4. Quadro e gravura: entre duas folhas de papel grosso ou papelão, com proteção nos cantos.

  5. Escreva FRÁGIL ou VIDRO na caixa. Para vela, prato de cerâmica e jarro de vidro, a Shopee pede caixa dupla.

  6. Filme você embalando. A Shopee recomenda, e o vídeo vira prova se o cliente reclamar.

A etiqueta "frágil" ajuda quem carrega, mas não é seguro: não achamos nos Correios nenhum serviço de "frágil" com garantia. O que protege o seu dinheiro é a embalagem e o valor declarado.

Se chegar quebrado, quem paga?

Para o cliente, quem responde é você. Pelo Código de Defesa do Consumidor, a loja troca a peça ou devolve o dinheiro, e depois cobra de quem transportou.

Arte com quanto os Correios pagam por um vaso de R$ 150 quebrado: sem valor declarado, no máximo R$ 25,63, no PAC e no SEDEX; com valor declarado, R$ 150, por R$ 2,48 a mais na postagem. Encomenda mal embalada não tem indenização, e a quebra se reclama em até 30 dias. Fonte: Correios, vigência 12/04/2026

Nos Correios, sem valor declarado a indenização para em R$ 25,63. Com valor declarado, você paga 2% só sobre o que passa desse valor: num vaso de R$ 150, R$ 2,48. O teto é R$ 4.668,29 no PAC. A quebra se reclama em até 30 dias corridos depois da entrega.

Nos marketplaces, a regra muda. No Mercado Livre, se quebrou no trajeto dos Envios dele, o vendedor não paga a devolução, mas a embalagem tem de seguir as instruções. Na Shopee, se o frete é por conta do vendedor, o problema também é dele.

Vela aromática precisa de registro na Anvisa?

Precisa estar regularizada, sim. A Anvisa trata vela aromática como produto para perfumar ambiente. Em dezembro de 2025, a diretoria da agência escreveu que "velas aromáticas se enquadram na categoria de produtos com finalidade de odorizante de ambientes", que são cosméticos de grau 1 (hoje, RDC 907/2024, art. 4º).

Difusor de varetas, home spray e água de lençol entram na mesma conta: podem ser regularizados como cosmético ou como saneante "odorizante" (RDC 989/2025). Nos dois caminhos, só empresa com autorização da Anvisa (AFE) e licença sanitária pode fabricar e regularizar o produto.

Arte com o que conferir no rótulo antes de revender vela aromática, difusor ou home spray: o número da Anvisa, de notificação ou registro; o CNPJ do fabricante, que precisa ter AFE; e se o produto é inflamável, porque aí não vai pelo correio. E o que não vale: artesanal sem registro não é exceção, e fazer em casa para vender é irregular

Não há exceção para o artesanal. Em fevereiro de 2025, a Anvisa proibiu todos os lotes de velas aromáticas e aromatizadores de uma empresa sem AFE, achados à venda no site dela, e classificou o risco como alto.

Vai só revender? A loja de varejo não precisa de AFE (RDC 16/2014). Mas vender produto sem regularização é infração (Lei 6.437/1977), com multa de R$ 2 mil a R$ 200 mil, e a RDC 989/2025 proíbe até anunciar. Quem vende para outra loja já é atacado e precisa de AFE.

Vela sem perfume, só decorativa, não achamos regra federal clara. O MEI tem a ocupação "fabricante de velas, inclusive decorativas", mas ela não dispensa a Anvisa quando a vela é aromática.

E dá para mandar difusor pelo correio?

Só se não for inflamável. Os Correios proíbem substâncias "facilmente inflamáveis", com o álcool no exemplo, e aerossol inflamável. Perfume e saneante podem ir, em recipiente vedado e caixa resistente, desde que não sejam inflamáveis. A Shopee também proíbe inflamáveis de uso doméstico.

Antes de anunciar, pergunte ao fabricante, por escrito, se o produto é inflamável. No Mercado Livre, líquido vai com a tampa vedada com fita, plástico-bolha e a etiqueta "LÍQUIDO".

Posso vender quadro com imagem da internet?

Não. Pela Lei de Direitos Autorais, reproduzir uma obra depende de autorização prévia e expressa do autor (Lei 9.610/1998, art. 29). E quem vende a cópia responde junto com quem fez (art. 104). Vender cópia sem autorização também é crime (Código Penal, art. 184).

Arte com o que pode e o que dá processo na imagem de quadro decorativo. Pode: arte, foto ou frase sua; artista que autorizou por escrito; obra de quem morreu há mais de 70 anos. Dá processo: imagem do Google ou do Pinterest; personagem, desenho ou escudo de time; e foto grátis do Unsplash ou do Pexels sem mudar

Os erros que mais aparecem:

  • Imagem do Pinterest ou do Google. Tem dono, mesmo sem nome. Em 2022, o TJSP mandou uma loja pagar R$ 10 mil por usar a ilustração de um artista em quadros decorativos.

  • Personagem, desenho e escudo de time. Além do direito autoral, há a marca (Lei 9.279/1996, art. 190), e escudo de time é crime na Lei Geral do Esporte (Lei 14.597/2023, art. 169).

  • Foto grátis de banco de imagem. O Unsplash diz que "não oferece licença que permita vender impressões", e o Pexels proíbe vender cópia sem alteração em cartaz ou produto físico.

  • Imagem de IA que imita personagem. Não há lei sobre IA em vigor (o PL 2.338/2023 ainda está na Câmara), e copiar personagem continua proibido do mesmo jeito.

O caminho seguro: arte sua, de um artista que autorizou por escrito, ou obra em domínio público. Pela lei, a obra fica livre 70 anos depois de 1º de janeiro do ano seguinte à morte do autor.

Pisca-pisca e luminária precisam de selo do Inmetro?

O pisca-pisca de Natal não é certificado e não tem selo. Mas tem regra:

  • Pisca-pisca e cordão de LED de Natal: sem selo, com informações obrigatórias na embalagem (Portaria Inmetro 674/2024; o varejo tem até o fim de 2027 para se ajustar). O plugue que vai na tomada precisa do selo do Inmetro.

  • Luminária LED decorativa: entra na certificação obrigatória da Portaria Inmetro 231/2026, com prazo de 48 meses para o varejo.

  • Almofada, cortina, toalha e tapete: etiqueta de têxtil com tecido, cuidados e CNPJ (Portaria Inmetro 118/2021).

  • Caneca, prato e vidro que encostam em comida: seguem os limites de chumbo e cádmio da Anvisa (Portaria SVS 27/1996).

Na operação Natal Seguro de 2025, o Inmetro achou 90.386 produtos irregulares entre 725.230 fiscalizados, e o pisca-pisca foi um dos destaques (7,28%). Em 2025, a operação foi de 3 a 28 de novembro.

Quando se vende mais decoração?

No fim do ano. Na média de 2022 a 2025, as vendas de "outros artigos de uso pessoal e doméstico", grupo em que o IBGE põe vasos, velas, quadros e enfeites de Natal, ficaram 25% acima da média do ano em novembro e 28% em dezembro. Fevereiro foi o mais fraco, 15% abaixo.

Quer lote novo para o Natal? Os fornecedores mostram as coleções nas feiras do setor:

Feira

Quando

Para quem

Feira Nacional de Artesanato, Belo Horizonte

02 a 06/12/2026

Aberta ao público

ABCasa Fair, São Paulo

14 a 17/02/2027

Só lojista com CNPJ

ABUP Show, São Paulo

14 a 17/02/2027

Só lojista, sem venda no varejo

Porto Ferreira (SP) é a Capital Nacional da Cerâmica Artística e da Decoração, pela Lei 13.492/2017. Antes do primeiro Pix a um fornecedor novo, siga o roteiro do artigo fornecedores para revenda.

MEI pode vender decoração?

Pode. Há ocupação de MEI para quase tudo da casa, com DAS de R$ 82,05 por mês em 2026 no comércio:

  • Revenda: comerciante de artigos para habitação (4759-8/99), de iluminação (4754-7/03), de cama, mesa e banho (4755-5/03), de molduras e quadros (4789-0/99).

  • Quem faz: fabricante de velas, inclusive decorativas (3299-0/06), artesão em cerâmica, em madeira, em louça e vidro, artesão têxtil.

  • Aromatizador: não existe ocupação de MEI para fabricar. Revender, pode, como comerciante de cosméticos ou de produtos de limpeza.

Os erros que mais custam

  1. Caixa grande demais. Paga frete pelo vazio.

  2. Mandar vidro sem valor declarado. Se quebrar, recebe R$ 25,63.

  3. Embalar fora do guia. Mal embalado, ninguém indeniza.

  4. Vender vela aromática ou difusor sem número da Anvisa. Até a revenda responde.

  5. Mandar difusor inflamável pelo correio. É proibido e pode ser apreendido.

  6. Quadro com imagem da internet ou de personagem. Dá processo e indenização.

Para quem este roteiro não basta

Este artigo é para quem revende ou faz peça de decoração em pequena escala. Móvel grande e planejado vai de transportadora, com outra conta de frete. E quem quer fabricar aromatizador ou vela aromática precisa, antes da primeira venda, de empresa com AFE, licença sanitária e produto regularizado na Anvisa.

Como fazer isso na Sellit

Três passos deste artigo têm recurso pronto na Sellit:

  • Mostrar a peça no ambiente: o vídeo na capa do produto toca no lugar da primeira foto. Serve para mostrar o tamanho do vaso na mesa e a luz da luminária.

  • Entrega própria da peça grande: o frete personalizado cria uma entrega por cidade ou por raio em km, com o seu preço, ao lado das transportadoras.

  • Presente montado: o kit de produtos junta vela, difusor e toalha num combo com preço próprio, numa caixa só.

Quer ver como fica uma loja pronta? Veja a página de loja virtual para casa e decoração.

De onde vêm os números

  • vender decoração
  • frete
  • embalagem
  • vela aromática
  • quadro decorativo
  • loja virtual

Perguntas frequentes

Vela aromática precisa de registro na Anvisa?
Precisa estar regularizada. A Anvisa trata vela aromática como produto para perfumar ambiente, um cosmético de grau 1 (RDC 907/2024, art. 4º), que exige comunicação prévia à agência. Só empresa com AFE e licença sanitária pode fabricar e regularizar. Fazer em casa para vender, sem isso, é irregular, mesmo artesanal.
Home spray precisa de Anvisa?
Sim. Home spray, difusor de varetas e água de lençol perfumam ambiente e são regularizados como cosmético ou como saneante odorizante (RDC 989/2025). Quem revende no varejo não precisa de AFE, mas só pode vender e anunciar produto com o número da Anvisa no rótulo.
Posso vender quadro com imagem da internet?
Não. Reproduzir obra depende de autorização prévia e expressa do autor (Lei 9.610/1998, art. 29), e quem vende a cópia responde junto. Foto grátis do Unsplash e do Pexels também não serve para quadro sem modificação. Use arte sua, de artista que autorizou por escrito ou obra em domínio público.
Como embalar vidro para enviar pelo correio?
Embrulhe cada peça com pelo menos 3 voltas de plástico-bolha, use caixa resistente com divisórias, preencha todo o vazio para nada se mexer e escreva FRÁGIL na caixa. Para peça cara, contrate o valor declarado: sem ele, os Correios pagam no máximo R$ 25,63 se quebrar, e encomenda mal embalada não é indenizada.

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