Vendas e atendimento

Como vender roupa infantil e brinquedos pela internet: o tamanho que não volta e as 3 regras da lei

Para vender roupa infantil pela internet, mostre o tamanho pela altura em centímetros: o bebê cresce 25 cm no 1º ano. Brinquedo só com selo e registro do Inmetro, regra que vale para a loja virtual desde julho de 2025. E mamadeira e chupeta não podem ter cupom, brinde nem kit.

Por Thiago Bastos14 min de leitura

A tia manda no WhatsApp: "quero uma roupinha para 2 anos". A sobrinha tem 2 anos, mas já veste 3. Na semana seguinte a peça volta, e o frete da volta é da loja.

No brinquedo, o risco é maior. Desde 1º de julho de 2025, a loja só pode vender brinquedo com selo e registro do Inmetro, e a regra cita a loja virtual com todas as letras. A multa vai de R$ 100 a R$ 1,5 milhão.

A seguir: o que mudou no mercado infantil, quem compra, a tabela de tamanho que evita troca, as 3 regras da lei que pegam a loja pequena e o calendário até o Natal de 2026.

Arte com as 5 regras para vender produtos infantis: tamanho pela altura em centímetros, perguntar a altura a quem compra de presente, brinquedo só com selo e registro do Inmetro, mamadeira e chupeta sem cupom, brinde ou kit, e anúncio que fala com o adulto.

Vale a pena vender produtos infantis em 2026?

Vale, mas a venda mudou de lugar. A indústria de brinquedos faturou R$ 10,39 bilhões em 2025, alta de 1,86%, segundo o Anuário 2026 da Abrinq. E a internet já fica com 38% das vendas de brinquedo. Em 2017 eram 22%.

Na roupa, o mercado é maior. O IEMI mediu R$ 53,7 bilhões em roupa infantil e de bebê vendida no varejo em 2022, ou 20,3% de toda a moda vendida no país.

Arte com duas mudanças no mercado infantil: a parte das vendas de brinquedo feita pela internet subiu de 22% em 2017 para 28% em 2024 e 38% em 2025 (Abrinq); e os nascimentos no Brasil caíram de 2,95 milhões em 2015 para 2,38 milhões em 2024 (IBGE).

A outra mudança é no berço. Nasceram 2.376.901 bebês no Brasil em 2024, queda de 5,8% sobre 2023, segundo o IBGE. Em 2015 foram 2,95 milhões. É como se nascesse 1 bebê a menos a cada 5.

Se você vende só enxoval e roupa de recém-nascido, o número de clientes encolhe todo ano. O que segura a venda é o presente (chá de bebê, avó, padrinho) e a recompra, porque o bebê troca de tamanho rápido.

Quem compra roupa e brinquedo de criança?

Muitas vezes, não é o pai nem a mãe. Na pesquisa da CNDL e do SPC Brasil para o Dia das Crianças de 2026, os presentes iam para filhos (47%), sobrinhos (37%), netos (18%) e afilhados (14%).

Arte com o destino dos presentes do Dia das Crianças de 2026: filhos 47%, sobrinhos 37%, netos 18% e afilhados 14%, segundo a CNDL e o SPC Brasil, com mais de uma resposta por pessoa.

O Instituto Locomotiva achou o mesmo: 66% de quem não tem filhos ia dar presente no Dia das Crianças de 2026, e cada comprador presenteia em média 3 crianças.

E a compra passa pelo celular. Na pesquisa da CNDL, 50% dos compradores iam usar a internet, e 39% já tinham comprado por link no Instagram, no WhatsApp ou no TikTok. A pesquisa é das capitais e feita pela internet, então o número tende a sair alto.

Quem dá presente não sabe o tamanho e quer acertar. Na mesma pesquisa, a qualidade do presente (29%) pesou mais que o desejo da criança (15%) e que o preço (14%). Para a loja, isso muda 3 coisas:

  • Pergunte a altura antes de fechar a venda de roupa (tem mensagem pronta mais abaixo).

  • Ofereça embalagem de presente e diga na página como ela chega.

  • Deixe a troca de tamanho combinada antes, por escrito, na página do produto.

Mãos de uma lojista colocando uma roupinha de criança dobrada e um carrinho de madeira numa caixa de papelão forrada com papel de seda, sobre uma mesa de madeira.

Qual tabela de tamanho usar na roupa infantil?

Use a altura da criança em centímetros, e a idade só como apoio. A norma brasileira de tamanhos infantis, a ABNT NBR 15800, parte das medidas do corpo, e a principal delas é a altura. A norma é voluntária, mas é o jeito mais seguro de acertar à distância.

A idade engana porque a criança cresce rápido. Pelas tabelas da OMS, o bebê mediano mede uns 50 cm ao nascer e cresce cerca de 25 cm no 1º ano. O peso quase triplica: o menino vai de 3,3 kg para 9,6 kg.

Arte com os tamanhos do 1º ano do bebê: RN até 54 cm serve por cerca de 1 mês; P até 62 cm, até uns 3 ou 4 meses; M até 68 cm, até uns 6 a 8 meses; G até 74 cm, até perto de 1 ano; GG até 80 cm, chega no 1º aniversário. Fontes: OMS e tabela da Brandili.

Ou seja: no 1º ano, o bebê passa por 4 ou 5 tamanhos, um a cada 3 meses, mais ou menos. O RN dura cerca de 1 mês. Por isso, compre pouco RN e mais P e M.

Cada marca tem a sua grade. A tabela abaixo é a da Brandili, fabricante de Santa Catarina, e serve de exemplo de como mostrar:

Tamanho

Idade (aproximada)

Altura da criança

RN

Recém-nascido

Até 54 cm

P

1 a 3 meses

Até 62 cm

M

3 a 6 meses

Até 68 cm

G

6 a 9 meses

Até 74 cm

GG

9 a 12 meses

Até 80 cm

1

18 meses

Até 86 cm

2

2 anos

Até 92 cm

3

3 anos

Até 99 cm

4

4 anos

Até 106 cm

6

5 a 6 anos

Até 120 cm

8

7 a 8 anos

Até 129 cm

10

9 a 10 anos

Até 140 cm

Pegue a tabela do seu fornecedor, ponha a altura ao lado de cada tamanho e use a mesma tabela em todos os anúncios. Para as medidas da peça (largura, comprimento), veja como medir roupa para vender online.

Mensagem pronta para quem compra de presente

"Oi! Para acertar o tamanho: quanto a criança mede de altura? Se não souber, me diga o tamanho que ela usa hoje e de qual marca. Se ficar entre dois, eu indico o maior, porque ela continua crescendo."

A última frase é uma escolha da loja, não regra. Mas evita a troca mais comum: a peça que serviu no dia e não serve no mês seguinte.

Brinquedo precisa de selo do Inmetro para vender na internet?

Precisa. A regra é a Portaria 302 de 2021 do Inmetro, que vale para brinquedo de criança de até 14 anos. Ela manda o comércio "em estabelecimentos físicos ou virtuais" manter o produto e as marcações obrigatórias. E desde 1º de julho de 2025 a loja só pode vender brinquedo certificado (art. 16).

O selo tem de trazer o número do registro no Inmetro. Brinquedo sem selo ou sem registro está irregular, e quem vende responde junto. A Lei 9.933 prevê multa de R$ 100 a R$ 1,5 milhão, além de apreensão do produto.

Arte com as 4 coisas para olhar na embalagem antes de anunciar um brinquedo: selo do Inmetro, número de registro dentro do selo, idade indicada com aviso para menores de 3 anos e código de barras. Sem selo e registro a loja não pode vender, regra que vale para a loja virtual desde julho de 2025, com multa de R$ 100 a R$ 1,5 milhão.

A fiscalização acontece nas datas que mais vendem. Na Operação Criança Segura, perto do Dia das Crianças de 2025, o Inmetro olhou 620.261 itens e achou 13.645 irregulares. No Natal Seguro, em novembro de 2025, foram 725.230 produtos e 90.386 irregulares, e a infração mais comum foi brinquedo sem registro.

Vem regra nova por aí. O Inmetro abriu em fevereiro de 2026 uma consulta pública que pede a imagem do selo e o número do registro no próprio anúncio, e a retirada do anúncio irregular em 2 dias úteis. Ainda é proposta. Mas dá para sair na frente hoje: escreva o número do registro na descrição do brinquedo.

Brinquedo artesanal precisa de selo do Inmetro?

Se é brinquedo para criança, sim. A portaria não abre exceção para o feito à mão. E o brinquedo feito sob encomenda "não poderá" ser vendido em loja física, virtual ou catálogo (art. 11).

Para quem fabrica pouco, há um caminho mais leve. Microempresa e empresa de pequeno porte têm um modelo de certificação mais simples, sem auditoria do sistema de qualidade, segundo o Inmetro. A peça decorativa para colecionador, como a boneca folclórica de enfeite, não conta como brinquedo, desde que venha identificada assim.

Outros produtos de criança que pedem selo

Produto

Selo do Inmetro?

Para saber

Brinquedo (até 14 anos)

Sim, com registro

Portaria 302/2021

Berço

Sim, com registro

Berço sob medida é isento

Carrinho de bebê

Sim

Modelo de 15 a 22 kg: na loja, a partir de 2028

Cadeirinha de carro

Sim, com registro

Portaria 246/2021

Bicicleta infantil

Sim, com registro

Portaria 424/2021

Material escolar

Sim

Portaria 423/2021

Chupeta e mamadeira

Sim

Também tem regra da Anvisa

Artigo de festa

Não, é opcional

Portaria 121/2021

Roupa

Não tem selo

Etiqueta obrigatória

Roupa não tem selo, mas tem etiqueta obrigatória pela Portaria 118 de 2021 do Inmetro: fabricante e CNPJ, país de origem, tecido com a porcentagem, cuidados de lavagem e tamanho. Tudo em português e costurado de um jeito que não sai. Peça sem etiqueta é problema seu na hora da reclamação.

Para cordões e enfeites em roupa de criança existe uma norma de segurança, a ABNT NBR 16365. Ela é voluntária. Só que o Código de Defesa do Consumidor (art. 39, VIII) usa a norma da ABNT como régua quando não há regra oficial. Na dúvida, prefira o fornecedor que segue a norma.

Pode dar cupom em mamadeira e chupeta?

Não. A Lei 11.265 proíbe a promoção comercial de mamadeira, bico e chupeta, e também de fórmula infantil, "em quaisquer meios de comunicação". O Decreto 9.579 detalha: vale para "meios eletrônicos" e inclui "descontos de preço, cupons de descontos, prêmios, brindes, vendas vinculadas".

Arte sobre mamadeira, chupeta e bico: pode vender, mas não pode promover. Pode ter na loja, com foto, preço normal e descrição. Não pode cupom ou desconto em destaque, brinde ou amostra, kit com outro produto nem post patrocinado. Fontes: Lei 11.265/2006, Decreto 9.579/2018 e Anvisa, RDC 908/2024.

Na prática da loja pequena, o erro é sem querer. O kit maternidade com body, manta e mamadeira por um preço especial é venda vinculada. O cupom de 10% na loja toda também pega a chupeta. Tire esses produtos do cupom e dos kits, e não os ponha na vitrine de promoção.

Isso é leitura direta do texto da lei, não de um caso julgado. O que a lei veta é promover; vender, com foto e preço normal, pode.

Confira também a origem. Em março de 2026, a Anvisa suspendeu chupetas, bicos e mamadeiras de uma marca vendida pela internet porque não tinham certificação do Inmetro.

Sabonete, xampu e lenço umedecido de bebê são cosméticos. Com indicação infantil, todos viram grau 2 na Anvisa, e protetor solar e repelente infantil precisam de registro. Quem regulariza é o fabricante; a loja confere. Veja o passo a passo em como vender cosméticos online.

Posso usar foto de criança no anúncio?

Pode mostrar a criança usando a peça. Não pode pôr a criança pedindo para comprar. O código do CONAR proíbe usar criança como modelo para "apelo direto" de consumo, mas aceita a criança na demonstração do produto. E o anúncio que "se aproveite da deficiência de julgamento" da criança é abusivo pelo Código de Defesa do Consumidor (art. 37).

Por isso, o anúncio fala com o adulto que paga. "Roupa que aguenta o parquinho" fala com a mãe. "Peça para a mamãe comprar" fala com a criança, e é o tipo de frase que o CONAR e o Código de Defesa do Consumidor barram.

Em 2026 vieram duas regras novas para a internet. O ECA Digital (Lei 15.211, em vigor desde 17 de março de 2026) proíbe usar o perfil de navegação para mirar publicidade em criança e adolescente. Na prática: no anúncio pago, escolha o público adulto.

O Decreto 12.880, de março de 2026, manda a rede social pedir autorização judicial quando o conteúdo impulsionado ou monetizado explora "de forma habitual" a imagem ou a rotina de uma criança. Sem ela, o conteúdo sai do ar. Se o seu filho é modelo da loja toda semana, use a peça sozinha nos posts pagos.

Para qualquer foto com criança, peça a autorização dos pais por escrito. Vale também para a foto que a cliente manda vestindo a peça na filha.

Quando se vende mais roupa e brinquedo de criança?

Brinquedo vende no Dia das Crianças e no Natal. Roupa infantil vende também quando esfria. No Google Trends dos últimos 5 anos, as 4 semanas com mais busca por "brinquedo" foram todas de Dia das Crianças. A busca por "roupa infantil" sobe em maio e junho.

E dezembro vende mais que todos. No IBGE, a venda de roupa e calçado (de todas as idades) em dezembro ficou cerca de 75% acima de um mês médio em 2023, 2024 e 2025. Para o Natal de 2026, a Abrinq prevê alta de 6% a 10% em valor, com pico de compras de 12 a 23 de dezembro.

Quando

O que se procura

O que fazer

Abril a junho

Roupa de frio

Pijama, moletom e casaco no ar em abril

Dia das Crianças, 12/10

Brinquedo

Pedido ao fornecedor em agosto

Black Friday, 27/11 (sexta)

Preço baixo

Desconto no que está parado

12 a 23/12

Presente de Natal

Embalagem pronta e prazo claro

Janeiro

Troca de presente

Regra de troca já na página

Arte com a linha do tempo do Dia das Crianças até o Natal de 2026: em outubro, ver o que sobrou e fazer o pedido do Natal; Black Friday em 27/11, sexta, com desconto no que está parado; pico do brinquedo de 12 a 23/12; Natal em 25/12, sexta, seguido da troca de tamanho. Fonte: Abrinq, que prevê Natal de 6% a 10% maior em valor.

A Abrinq dá uma dica para a Black Friday: desconto nas linhas antigas e no estoque alto, não no lançamento que vai vender no Natal. Veja a conta do desconto da Black Friday.

Os erros que mais custam caro

  1. Tamanho só pela idade. "2 anos" serve numa criança e não serve na outra.

  2. Comprar muito RN. Ele dura cerca de 1 mês.

  3. Brinquedo barato sem selo porque todo mundo vende. Desde julho de 2025, a loja responde.

  4. Cupom na loja toda pegando mamadeira e chupeta.

  5. Kit maternidade com mamadeira em preço promocional.

  6. Anúncio que fala com a criança ("peça para a mamãe").

  7. Post pago com o seu filho toda semana, sem autorização judicial.

Para quem este roteiro não basta

Ele serve para quem revende produto de criança feito por outra empresa. Em três casos, você precisa de mais:

  • Quem fabrica ou importa brinquedo: a certificação é sua. Procure um organismo certificador acreditado pelo Inmetro antes de produzir o lote.

  • Quem vende só para encomenda de brinquedo: pela portaria, o sob encomenda não entra na loja virtual. Converse com uma certificadora antes de abrir a loja.

  • Quem está escolhendo o fornecedor: veja as 6 checagens antes do primeiro Pix.

Como fazer isso na Sellit

A tabela por altura cabe no próprio produto. Nas Variações de produto, escreva a altura no nome do tamanho, como "2 (até 92 cm)", e cada tamanho ganha o seu estoque. Para não digitar a grade toda vez, guarde o padrão uma vez em Produtos › Atributos da loja.

Com os Filtros da loja, a tia escolhe o tamanho e só vê o que tem em estoque naquele tamanho. E o Kit de produtos monta o presente pronto (roupa e brinquedo, com preço próprio). Só não ponha mamadeira nem chupeta no kit.

Quer ver uma loja infantil montada? Veja a loja virtual para moda infantil.

De onde vêm os números

  • roupa infantil
  • brinquedos
  • Inmetro
  • moda bebê
  • Natal
  • loja virtual

Perguntas frequentes

Brinquedo precisa de selo do Inmetro para vender na internet?
Precisa. A Portaria 302/2021 do Inmetro vale para brinquedo de criança de até 14 anos e cita o comércio físico e virtual. Desde 1º de julho de 2025, a loja só pode vender brinquedo certificado, com o número do registro no selo. A multa vai de R$ 100 a R$ 1,5 milhão.
Brinquedo artesanal precisa de selo do Inmetro?
Se é brinquedo para criança, sim: a portaria não tem exceção para o feito à mão, e o brinquedo sob encomenda não pode ser vendido em loja física, virtual ou catálogo. Microempresa tem um modelo de certificação mais simples. Peça decorativa para colecionador, identificada assim, não conta como brinquedo.
Como saber o tamanho da roupa infantil para dar de presente?
Pergunte a altura da criança em centímetros e compare com a tabela da marca. Se a pessoa não souber, pergunte o tamanho que a criança usa hoje e de qual marca. Ficou entre dois tamanhos, o maior costuma ser a escolha mais segura, porque a criança continua crescendo.
Pode dar desconto em mamadeira e chupeta?
Não. A Lei 11.265/2006 e o Decreto 9.579/2018 proíbem promover mamadeira, bico, chupeta e fórmula infantil, inclusive pela internet, com desconto, cupom, brinde ou venda em kit com outro produto. Vender com preço normal pode.

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