Como conseguir código de barras para os seus produtos: o MEI paga R$ 35 por ano, e muita loja nem precisa
Para ter código de barras do seu próprio produto, associe a empresa à GS1 Brasil: o MEI paga R$ 29,50 na entrada e R$ 35 por ano por até 10 códigos (tabela de 2026). Quem revende usa o código do fabricante, e o gerador grátis da internet não vale para vender em marketplace.
Por Thiago Bastos14 min de leitura

O Mercado Livre pediu o “código universal” do seu produto e você travou. Na internet, um site vende código de barras por R$ 0,17, outro gera de graça, e um terceiro diz que o MEI paga “algumas centenas de reais por ano”.
Fomos atrás das regras de cada canal e da tabela oficial. O MEI paga R$ 35 por ano por até 10 códigos, e muita loja pequena nem precisa de um.

O que é o código de barras EAN (e o tal GTIN)?
É um número de 13 algarismos que identifica um produto no mundo inteiro. As barras são só o desenho desse número, para a máquina ler rápido. O nome oficial é GTIN; o EAN-13 é o GTIN de 13 números, o mais usado no Brasil.
Ele não é o seu código interno. O SKU, aquele código que você inventa para organizar o estoque (CAM-AZUL-M, por exemplo), só vale dentro da sua loja. O GTIN vale em qualquer loja, marketplace e nota fiscal.
No Brasil, só a GS1 Brasil emite esse número. Os códigos tirados aqui começam com 789 ou 790. Isso diz onde o código foi registrado, não onde o produto foi feito.
Gerar e registrar são coisas diferentes. Gerar é desenhar as barras de um número. Registrar é pôr esse número no nome da sua empresa. O desenho qualquer site faz; o registro, só a GS1.
Quem revende precisa comprar código de barras?
Não. Se você revende produto de outra marca, use o código que o fabricante já colocou na embalagem. A própria GS1 diz isso: o código é responsabilidade do dono da marca, e o revendedor usa o dele.
O produto chegou sem código na caixa? Peça ao fornecedor. Muitas vezes o número está na nota fiscal de compra, no campo do código de barras de cada item.
Quanto custa o código de barras na GS1 em 2026?
Para o MEI, R$ 29,50 na entrada e R$ 35 por ano, com até 10 códigos. É a categoria T6, só para MEI. A entrada soma a taxa de inscrição (R$ 12) com metade da anuidade. Seis meses depois vem a primeira anuidade cheia.

Quem é | Entrada | Por ano |
|---|---|---|
MEI, até 10 códigos | R$ 29,50 | R$ 35 |
MEI, de 11 a 110 códigos | R$ 212,50 | R$ 379 |
Empresa até R$ 300 mil/ano | R$ 927,50 | R$ 489 |
De R$ 300 mil a R$ 1 milhão | R$ 1.088 | R$ 810 |
De R$ 1 milhão a R$ 6 milhões | R$ 1.602,50 | R$ 1.839 |
Os preços sobem uma vez por ano. De 2025 para 2026, a anuidade do MEI passou de R$ 33 para R$ 35. Os valores de R$ 570 e de “R$ 707 de inscrição” que aparecem em outros guias não batem com nenhuma tabela da GS1 de 2024, 2025 ou 2026.
Para o MEI, o documento é o CCMEI e o RG ou a CNH. Sem CNPJ, só entra quem é artesão com carteirinha ou produtor rural. E se parar de pagar, os códigos são desativados e o número pode ir para outra empresa.
10 códigos dão para quantos produtos?
Menos do que parece, porque cada variação é um código. Para a GS1, mudar cor, tamanho, sabor ou embalagem cria um produto novo. O Mercado Livre pede o mesmo: cada variação do anúncio com o seu código.

Então faça a conta antes de escolher a categoria. Quem vende 3 sabonetes de aroma diferente cabe nos 10 códigos. Quem vende roupa com grade de tamanho estoura no primeiro modelo.
Uma saída honesta: comece pelo canal que pede o código. Se só o Mercado Livre pede, e só para 2 produtos, talvez nem precise (veja a tabela dos canais mais abaixo).
Passo a passo para tirar o código de barras na GS1
Abra a tabela de valores da GS1 e escolha a categoria pelo número de códigos (contando cada variação).
Faça a filiação online com o CCMEI e o RG ou a CNH (ou o contrato social, se não for MEI).
Pague o boleto ou o Pix da entrada. A análise leva de 1 a 5 dias úteis, segundo a própria página.
Entre no Cadastro Nacional de Produtos (CNP), que é gratuito para quem é associado, e crie um número para cada produto e cada variação, com descrição, marca e foto.
Copie o número para o anúncio e para o cadastro da sua loja. Para a etiqueta, o CNP também gera a imagem das barras.
Cada número é para sempre daquele produto. Não reaproveite o código de um item que saiu de linha em outro produto. A GS1 proíbe: o número fica ligado à descrição do primeiro item.
Código de barras grátis da internet vale?
Para vender em marketplace ou loja de terceiros, não. O gerador gratuito só desenha as barras do número que você digita. Ele não registra nada. Se você inventa um número que começa com 789, pode estar usando o número de outra empresa.
A GS1 avisa que o número aleatório “pode funcionar por um tempo”, até alguém tirar o mesmo número de verdade e um dos dois anúncios cair. Alguns geradores chamam o resultado de “válido”; isso quer dizer só que o último algarismo, o de conferência, bate.

E o código comprado em site, sem anuidade? Vimos 4 sites vendendo de R$ 0,17 a R$ 70 por código, em 18/10/2026. A regra mundial da GS1 proíbe vender, alugar ou ceder um número a outra empresa, e na tabela da GS1 Brasil o código de revenda aparece como “sem vínculo ao CNPJ”.
Na prática, o número continua ligado a quem o tirou na GS1. O TikTok Shop exige código registrado na base da GS1, e o Magalu proíbe até anunciar a venda de códigos de barras.
Onde o grátis serve: no seu próprio estoque, no seu balcão e em feira de mão em mão, sem leitor no caixa. É a própria GS1 que diz.
O que o Mercado Livre, a Shopee e a Amazon pedem?
Cada canal tem a sua regra, e quase todos têm uma saída para quem faz o próprio produto. O que muda é se o campo é obrigatório e o que você marca quando não tem código.
Canal | Pede código? | Seu produto, sem código |
|---|---|---|
Mercado Livre | Na maioria dos produtos | Marque “Meu produto não o tem” e diga o motivo (artesanal, por exemplo) |
Shopee | Obrigatório em eletrônicos, eletrodomésticos e suplementos | Nas outras categorias, “Item sem GTIN” |
Amazon | Na maioria das categorias | Peça a isenção de GTIN (marca própria ou artesanal); resposta em até 48 h |
TikTok Shop | Opcional para todos | Pule o campo |
Google Shopping | Só se o produto tiver | Não envie código; marque que não existe |
Magalu | Não achamos regra pública | Confira na categoria ao anunciar |
“Preciso comprar um código de produto? Não! Se o seu produto não tem código, porque não vem de fábrica ou porque você o produz de forma artesanal, não é necessário comprar um para vender no Mercado Livre.” (Mercado Livre, página de códigos universais)
Tem um porém no Mercado Livre: se outro vendedor anuncia exatamente o mesmo produto com código, o seu anúncio sem código aparece menos. Isso pesa para quem revende marca, não para quem faz peça única.
E código errado custa caro. No Mercado Livre, o anúncio pode ser excluído. Na Shopee, o aviso “GTIN incorreto” trava qualquer edição até você corrigir. Na Amazon, a isenção pode ser revogada se a marca passar a ter código da GS1.
Precisa de código de barras para emitir nota fiscal?
Não. Ninguém é obrigado a ter código de barras para emitir nota. A regra da Sefaz é outra: se o produto tem código, o número vai na nota; se não tem, você escreve SEM GTIN no campo.

O que derruba a nota é o campo vazio (rejeição 883) ou um número com o algarismo de conferência errado (611). Por isso, nunca invente um número só para preencher a nota.
Isso vai chegar a todo MEI que vende produto. A partir de 1º de janeiro de 2027, daqui a 75 dias, o MEI passa a emitir nota em toda venda (Resolução CGSN 190/2026). Cada item da nota vai ter o campo do código: o número da embalagem ou SEM GTIN.
Quem fabrica cosmético, alimento, bebida ou brinquedo e tira código na GS1 tem uma tarefa a mais: deixar o cadastro do produto completo no CNP. Na venda da própria produção, a Sefaz confere o número nesse cadastro e recusa a nota se ele não existir. Em materiais de construção, essa checagem começa em 1º de setembro de 2027.
Quando o código de barras vira obrigação?
Quando o canal ou a lei do seu produto pedem. Fora a Shopee em eletrônicos, eletrodomésticos e suplementos, o caso mais novo é o calçado.
Calçado de marca própria: a Portaria Inmetro 459/2025 exige identificação no padrão GTIN na embalagem. A fábrica tem até 31/12/2026 (prazo prorrogado, segundo a GS1) e a loja, física ou virtual, até 31/12/2027. Quem revende usa o código da fábrica.
Supermercado, farmácia e loja de outra pessoa: quem compra para revender costuma pedir o código para passar no caixa. Pergunte ao comprador antes de fechar.
Exportar: o GTIN da GS1 Brasil vale fora do país. Confira a regra do marketplace de lá antes de mandar.
E o QR Code? A GS1 tem uma meta, chamada Sunrise 2027, para os caixas lerem também códigos quadrados até o fim de 2027. É meta do setor, não lei, e o código de barras comum continua valendo. O QR Code da GS1 usa o mesmo número e não tem custo extra para quem já é associado.
Quanto custa ler e imprimir código de barras na loja?
Para começar, um leitor simples e o celular resolvem. O leitor com fio funciona como um teclado: aponta, bipa, e o número aparece no campo. A impressora térmica só compensa quando você etiqueta muita peça.

O quê | Preço visto | Quando vale |
|---|---|---|
Leitor com fio (USB) | R$ 60,75 a R$ 128,25 | Caixa no computador |
Leitor sem fio | R$ 113,98 a R$ 208,99 | Balcão e estoque longe do computador |
Impressora térmica de etiqueta | R$ 692,55 a R$ 1.647,66 | Muita peça para etiquetar |
Rolo de etiqueta 40 x 25 mm | R$ 9,90 por 1.000 | Quem já tem a impressora |
Preços da Amazon Brasil em 18/10/2026, sem frete. Mudam todo dia: use como ordem de grandeza. Antes da impressora, teste etiqueta em folha adesiva A4 na impressora comum de casa.
Erros comuns com código de barras
O mesmo código em 2 variações. A camiseta azul M e a azul G precisam de números diferentes.
Inventar um número para passar no cadastro. Pode ser de outra empresa, e a nota pode ser recusada.
Deixar o campo da nota em branco. Sem código, escreva SEM GTIN.
Trocar o código de um produto que já vende. O número é para sempre daquele item.
Parar de pagar a GS1 e seguir usando. Os códigos são desativados.
Colar o código numa planilha sem formatar a coluna como texto. O Excel mostra o número como 7,89E+12 e o cadastro sai errado.
Para quem este conselho não serve
Este guia é para quem vende pela internet e no balcão. Se você vai fornecer para rede de supermercado ou exportar em volume, fale com a GS1 e com o seu contador antes: lá entram código de caixa fechada, de lote e de validade, que não cabem aqui.
E se você vende só pelo Instagram, pelo WhatsApp e pela própria loja, guarde os R$ 35. O seu código interno faz o mesmo trabalho no seu estoque, e a nota sai com SEM GTIN.
Como fazer isso na Sellit
Três passos deste artigo têm recurso pronto:
Um código por variação: no cadastro do produto, cada linha da grade tem o seu SKU e o seu código de barras. Veja em variações de produto.
Bipar no balcão: no PDV, o leitor de código de barras acha o produto na hora; no aplicativo da Sellit, a câmera do celular faz o papel do leitor.
Sem código no Google: no catálogo para o Google Merchant Center, produto artesanal sai marcado como sem identificador, que é o certo.
Não tem código da GS1? A etiqueta de produto transforma o SKU de cada variação num código de barras para o seu próprio leitor, em rolo térmico ou folha adesiva. Serve para o seu balcão e o seu estoque, não para marketplace.
De onde vêm os números
GS1 Brasil, tabela de valores (referência janeiro de 2026, vista em 18/10/2026): preços T6, T5, T4, T3 e T2, documentos do MEI, código de revenda “sem vínculo ao CNPJ”. Tabela de 2025 pelo Web Archive.
GS1 Brasil, perguntas frequentes: revendedor usa o código do fabricante, CPF só com carteirinha de artesão, desativação sem anuidade, número aleatório e duplicidade, QR Code sem custo extra.
GS1 Brasil, gerador de código de barras gratuito: o gerador cria só a imagem; uso aceitável em estoque interno e feira sem leitor.
GS1 Brasil, blog EAN e UPC (atualizado em 01/06/2026): cada variação é um produto distinto.
GS1 General Specifications 25.0, seção 1.5 (jan. 2025): número da GS1 não pode ser vendido, alugado nem cedido.
Sefaz, Nota Técnica 2021.003 v1.50 (publicada em 25/09/2026): SEM GTIN, rejeições 611 e 883, checagem no cadastro e o grupo de materiais de construção.
Resolução CGSN 190/2026, art. 106 (efeitos a partir de 01/01/2027): o MEI emite nota em toda venda.
Portaria Inmetro 459/2025, art. 3º, e GS1 Brasil, prazo dos calçados (28/08/2026).
GS1, leitura de códigos 2D no caixa (atualizada em 08/10/2026): Sunrise 2027.
Mercado Livre: códigos universais, central de vendedores e ajuda 3429.
Shopee, artigo 16213 (atualizado em 16/09/2026).
TikTok Shop Brasil, códigos identificadores (09/04/2025).
Google Merchant Center: GTIN e identificador existe.
Preços de equipamento: busca da Amazon Brasil em 18/10/2026 (leitor com fio, sem fio, impressora, rolo 40 x 25).
Foto do leitor: Caleb Oquendo, Pexels.
- código de barras
- EAN
- GTIN
- MEI
- Mercado Livre
- nota fiscal
Perguntas frequentes
- Quanto custa o código de barras para MEI?
- Na GS1 Brasil, o MEI que precisa de até 10 códigos paga R$ 29,50 na entrada e R$ 35 por ano (tabela de janeiro de 2026). De 11 a 110 códigos, são R$ 212,50 na entrada e R$ 379 por ano. Cada cor e cada tamanho do produto conta como um código.
- Posso usar código de barras gerado de graça na internet?
- Para controle do seu estoque ou feira sem leitor no caixa, pode. Para vender em marketplace, loja de terceiros ou exportar, não: o gerador só desenha o número que você digita, sem registrar nada, e o número inventado pode ser de outra empresa.
- Precisa de código de barras para vender no Mercado Livre?
- Não para quem faz o próprio produto. O Mercado Livre diz que não é preciso comprar código: marque “Meu produto não o tem” e informe o motivo, como artesanal. Quem revende produto de marca usa o código da embalagem.
- Código EAN é o mesmo que código de barras?
- Quase. O EAN-13 é o número de 13 algarismos (o nome oficial é GTIN-13), e o código de barras é o desenho desse número para a máquina ler. No Brasil, só a GS1 Brasil emite esse número.
- Preciso de código de barras para emitir nota fiscal?
- Não. Se o produto tem código, o número vai na nota; se não tem, escreva SEM GTIN no campo. Campo em branco faz a nota ser recusada. A partir de 1º de janeiro de 2027, o MEI passa a emitir nota em toda venda.
Coloque isso em prática na sua loja
Crie sua loja virtual na Sellit e venda pelo Instagram, pelo WhatsApp e no seu próprio site.
Criar minha lojaContinue lendo

Como montar uma papelaria personalizada em casa: o custo real e o perigo do personagem
Para montar uma papelaria personalizada em casa, comece com impressora de tanque, papel e refiladora (cerca de R$ 1.050), crie temas próprios em vez de personagens, cobre material mais a sua hora e só imprima depois da arte aprovada. Personagem sem licença rendeu condenação de R$ 3 mil em 2026.
12 min de leitura
Como montar um brechó online: o fardo que é proibido, a conta do preço e o que a lei pede na peça usada
Para montar um brechó online, compre peças com origem (fardo de roupa usada importada é proibido), calcule o preço pelo custo, despesas e lucro, anuncie com "roupa usada", medidas e defeitos à mostra, e formalize como MEI de artigos usados, que dá nota em toda venda a partir de 2027.
12 min de leitura
Fornecedores para revenda: onde encontrar e como saber se é confiável antes do primeiro Pix
Fornecedor para revenda se acha na fábrica (o nome está no rótulo), nos polos de atacado, em feiras e no atacado do Mercado Livre e da Shopee. Antes do primeiro Pix, confira se o CNPJ está ativo na Receita, se o Pix cai na conta da empresa e faça um pedido pequeno com nota fiscal.
15 min de leitura