Print on demand no Brasil: quanto sobra numa camiseta, quem cobra mensalidade e a estampa que dá processo
Print on demand é vender produto com a sua estampa sem estoque: a gráfica imprime só quando alguém compra. No Brasil, a maioria cobra mensalidade, e no plano de entrada da Reserva INK sobram R$ 15 numa camiseta de R$ 79,90. Personagem, time e marca dão processo, mesmo a pedido do cliente.
Por Thiago Bastos11 min de leitura

Você desenha uma estampa no domingo, sobe numa plataforma e anuncia a camiseta por R$ 79,90. Não comprou nenhuma peça. Na primeira venda, a gráfica imprime, embala e manda para o cliente. Parece perfeito até você fazer a conta.
Print on demand é vender produto com a sua estampa sem ter estoque: a gráfica só imprime quando alguém compra. Funciona, mas sobra pouco por peça, quase sempre tem mensalidade, e a estampa errada dá processo.

Como funciona o print on demand?
Existem dois jeitos, e a diferença é quem vende para o cliente. Na vitrine de artista, você só manda a arte. No outro, a loja é sua e a gráfica trabalha nos bastidores.

Na vitrine de artista, o trabalho é pouco e o ganho também. Na Colab55, o artista recebe 60% da diferença entre o preço de venda e o custo da peça, pago no último dia útil do mês. No exemplo da própria plataforma, isso dá cerca de 12% do preço de uma camiseta.
Na sua loja com gráfica, você define o preço, faz a divulgação e atende o cliente. A gráfica cobra o custo da peça a cada venda e, na maioria, uma mensalidade. Quem paga o frete varia: na Reserva INK, é o comprador.
Quais são as plataformas de print on demand no Brasil?
As que aparecem em quase todo guia mudaram de modelo ou de preço em 2026. Esta é a situação nas páginas oficiais em 22/10/2026:
Plataforma | Como funciona | Quanto custa para você |
|---|---|---|
Reserva INK | Sua loja; só roupa | De R$ 39,90 a R$ 799 por mês; camiseta de R$ 49,90 a R$ 64,90 |
Montink | Sua loja; roupa, caneca, pôster, ecobag | A partir de R$ 149 por mês; catálogo com camiseta a partir de R$ 43,25 |
Uma Penca | Loja hospedada por ela | Sem mensalidade; a camiseta parte de R$ 76,90 antes da sua parte |
Colab55 | Vitrine de artistas | Sem mensalidade; você recebe 60% de (preço menos custo) |
Printful | Gráfica de fora; parte dos produtos feita no Brasil | Imposto de importação por conta do cliente |
Duas ressalvas. A Montink, que usa a estrutura da Dimona, não diz na página se o preço do catálogo é o custo para o lojista. E na Uma Penca o preço que entra na calculadora da página já começa em R$ 76,90 para a camiseta: quem vende a R$ 79,90 fica com quase nada.
Um guia de setembro de 2026 diz que a Montink é "sem taxa mensal". A página dela mostra o plano Essencial a R$ 149 por mês. Antes de escolher, abra a página de planos de cada uma no dia.
Quanto sobra numa camiseta de print on demand?
No plano de entrada da Reserva INK, sobram R$ 15 numa camiseta vendida a R$ 79,90. É 18,8% do preço, antes da taxa do meio de pagamento. E a mensalidade de R$ 39,90 come as 3 primeiras vendas do mês.

No plano mais caro, o INKrível, a camiseta custa R$ 49,90 e sobram R$ 30. Só que a mensalidade é de R$ 799: são 27 camisetas por mês só para pagar o plano.
A saída para sobrar mais é cobrar mais. Uma camiseta com estampa forte, para um público que gosta muito daquele tema, aceita um preço maior. Camiseta genérica disputa preço com a loja de departamento, e aí o print on demand perde.
Para comparar: montar uma confecção própria pequena custa cerca de R$ 50 mil, segundo o Sebrae. O print on demand troca esse investimento por uma margem menor em cada peça.
Print on demand vale a pena?
Vale para testar uma estampa ou uma marca sem comprar estoque, se você já tem para quem vender. Não vale como renda passiva: a loja só vende se alguém fica sabendo que ela existe, e a divulgação é com você.

Que estampa pode e que estampa dá processo?
Pode o que é seu ou o que você licenciou para vender. O resto dá processo, e quem vende responde junto com quem copiou. É o que diz o art. 104 da Lei de Direitos Autorais: quem vende obra copiada é "solidariamente responsável com o contrafator".

Pode: desenho seu, foto sua, arte comprada com licença para produto, frase comum ("No Bad Days" não ganhou proteção no TJDFT por falta de originalidade).
Dá processo: personagem de desenho, escudo de time, letra de música, logo de marca, foto achada na internet.
Cuidado com frase: desde 27/11/2024 o INPI aceita registrar frase de propaganda como marca, se ela for diferente o bastante. Antes de estampar um bordão famoso, consulte a busca do INPI.
"A gráfica é que imprimiu" também não livra. Em maio de 2026, o TJSC negou a uma loja que pagou R$ 200 mil de acordo à CBF o direito de cobrar da confecção que fez as camisetas. E escudo de time ainda é crime: a Lei Geral do Esporte prevê 2 a 4 anos de prisão para quem vende, e o processo não depende de o clube reclamar.
Imagem feita com IA não resolve. A lei brasileira não diz de quem é a imagem gerada por IA, e o marco da IA (PL 2.338/2023) estava parado na Câmara em outubro de 2026. Use a IA para ter ideias; a arte que vai para a peça, prefira desenhar você.
Nos marketplaces, a denúncia derruba o anúncio rápido. Na Shopee, você tem 20 dias para provar que pode vender; depois, o anúncio é excluído para sempre. No Mercado Livre, são 3 dias para responder. O caso do personagem em festa está em como montar uma papelaria personalizada.
Quem responde quando a gráfica erra ou atrasa?
Você. Para o cliente, quem vendeu foi a sua loja, e o Código de Defesa do Consumidor (art. 18) faz o fornecedor responder pelo defeito. Depois você acerta com a gráfica, mas o cliente cobra de você.
Peça uma amostra de cada produto. Na Dimona, a amostra é um pedido pago como outro qualquer. Vale o gasto: você vê a cor real, o tecido e o tamanho.
Mostre o prazo de produção na página. Ele corre antes do envio, e o cliente precisa saber.
Deixe a regra de troca clara antes da compra. A lei não abre exceção para produto personalizado no direito de desistir em 7 dias. O Idec diz que, nesse caso, "a aplicação do arrependimento pode ser limitada", e os tribunais divergem. Mostre a prévia da arte e guarde o "aprovado" do cliente.
O modelo completo de política está em política de troca e devolução.
Precisa de CNPJ para fazer print on demand?
Para começar, não: a Reserva INK aceita CPF ou CNPJ e recomenda abrir um MEI. No MEI, a ocupação que costuma servir é a de comerciante de artigos do vestuário (4781-4/00); para caneca e quadro, há as de suvenires e de objetos de arte. E a partir de 1º de janeiro de 2027, o MEI emite nota em toda venda.
Quando a gráfica manda a peça direto para o seu cliente, a operação se chama venda à ordem e pede mais de uma nota. Na Reserva INK, ela emite a nota de venda para a sua loja e a de envio com valor zero; você emite a sua, no valor da venda. Combine isso com o contador antes da primeira venda. As diferenças entre CPF e MEI estão em vender com CPF ou MEI.
Pôs a sua marca na camiseta? A etiqueta passa a ser sua. A Portaria 118/2021 do Inmetro pede, na etiqueta, o nome ou a marca e o CNPJ ou CPF de quem põe a marca no produto, mais composição, cuidados, tamanho e país de origem. Ecobag e tela de quadro ficam fora dessa regra.
E usar uma gráfica de fora, como a Printful?
Peça feita fora do Brasil chega com imposto, e quem paga é o seu cliente, na entrega. A Printful e a Printify dizem isso nas centrais de ajuda, e pedem o CPF de quem compra.

Desde 12/05/2026, a Receita cobra 0% até US$ 50 só em compra de site certificado no Remessa Conforme, feita por pessoa física. A sua loja não está nessa lista. A Printful tem um parceiro no Brasil para uma parte dos produtos, mas é a minoria: na camiseta básica, 31 de 628 combinações de cor e tamanho. A Printify fala em 10 a 30 dias úteis no envio internacional.
Os erros que mais custam
Escolher a plataforma pelo "grátis". Some a mensalidade e o custo da peça antes.
Vender camiseta genérica. Sem estampa que alguém queira muito, o preço não paga a conta.
Estampar o que é dos outros. Personagem, time, música e marca dão processo, mesmo a pedido do cliente.
Não pedir amostra. A primeira reclamação de cor errada vira a sua avaliação.
Esquecer a etiqueta. Marca sua na peça pede etiqueta com o seu CNPJ ou CPF.
Para quem o print on demand não serve
Se você quer vender barato e muito, o print on demand não fecha a conta. Imprimir peça por peça custa mais por unidade que produzir em lote. Quem já vende sempre a mesma camiseta, em quantidade, costuma pagar menos fazendo uma tiragem numa confecção.
Também não serve para quem precisa entregar amanhã: entre produção e envio, a peça leva dias. Para essa venda, o estoque pronto ganha. Os prós e contras estão em pronta-entrega ou encomenda.
Como fazer isso na Sellit
A Sellit não tem integração com gráfica de print on demand. Se você trabalha com uma gráfica que imprime sob encomenda, ou imprime você mesmo, a loja ajuda nos passos do pedido:
Prazo e arte do cliente na página: no produto personalizável, você põe o prazo de produção em dias úteis, que aparece na loja, e pode pedir o nome ou a imagem antes do pagamento.
Tamanho e cor numa página só: as variações de produto montam a grade P, M, G em cada cor.
Frete que fecha: com peso e medida da caixa no cadastro do produto, o checkout calcula o frete sozinho.
De onde vêm os números
Reserva INK, quanto custa, quem paga o frete e notas fiscais. Vistos em 22/10/2026. As contas são do Blog da Sellit.
Montink, planos e catálogo; Uma Penca, página inicial; Colab55, preço de venda, composição do preço e pagamento; Dimona, pedido de teste. Vistos em 22/10/2026.
Printful, print on demand no Brasil, onde ficam as fábricas e CPF obrigatório; Printify, opções de envio.
Receita Federal, tributação de remessas e empresas certificadas no Remessa Conforme.
Leis: Lei 9.610/1998 (art. 104), Lei 14.597/2023 (art. 169) e Código de Defesa do Consumidor (arts. 18 e 49); Inmetro, Portaria 118/2021 (Anexo, item 3, e Apêndice B).
Casos: STJ, REsp 2.121.497, via Migalhas (10/09/2024); TJSC, loja condenada por CBF e Santos (28/02/2024), malharia e ilustrador (04/12/2022) e varejista contra a fabricante (11/05/2026); STJ, AREsp 2.000.570, No Bad Days (16/03/2023).
INPI, atualizações do Manual de Marcas (27/11/2024); Câmara dos Deputados, PL 2.338/2023 (situação em 22/10/2026: aguardando parecer).
Shopee, violação de marca e contrafação; Mercado Livre, como responder a uma denúncia; Idec, arrependimento na compra pela internet (atualizado em 31/03/2026).
Receita Federal, Anexo XI da Resolução CGSN 140 (ocupações do MEI) e Resolução CGSN 190/2026; Sefaz-SP, Resposta à Consulta 27.582/2023 (venda à ordem).
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Perguntas frequentes
- Print on demand vale a pena?
- Vale para testar uma estampa ou marca sem comprar estoque, se você já tem público para quem vender. No plano de entrada da Reserva INK, uma camiseta de R$ 79,90 deixa R$ 15 antes da taxa de pagamento, e a mensalidade de R$ 39,90 come as 3 primeiras vendas do mês. Não é renda passiva: a divulgação é sua.
- Precisa de CNPJ para fazer print on demand?
- Para começar, não. A Reserva INK, por exemplo, aceita CPF ou CNPJ e recomenda abrir um MEI. Quando a gráfica envia direto ao seu cliente, a operação pede mais de uma nota fiscal, e a partir de 2027 o MEI emite nota em toda venda: combine com um contador.
- Posso estampar personagem ou escudo de time se o cliente pedir?
- Não. Quem vende obra copiada responde junto com quem copiou (Lei 9.610, art. 104), e uma malharia de Florianópolis foi condenada mesmo dizendo que o cliente trazia a imagem. Escudo de time ainda é crime pela Lei Geral do Esporte, com pena de 2 a 4 anos.
- Qual a melhor plataforma de print on demand no Brasil?
- Depende do modelo. Se você só quer mandar a arte, uma vitrine de artista como a Colab55 paga uma parte de cada venda. Se quer a sua loja e a sua marca, Reserva INK e Montink imprimem e enviam, com mensalidade. Compare a mensalidade e o custo da peça na página oficial do dia.
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