Como vender artesanato online depois que o Elo7 fechou (e cobrar pela sua hora)
Com o fim do Elo7 em maio de 2026, o jeito mais seguro de vender artesanato online é ter uma loja própria no link do WhatsApp e do Instagram, cobrar a sua hora de trabalho no preço, escrever o prazo de produção na página e deixar a vitrine pronta em outubro, antes do pico de dezembro.
Por Thiago Bastos14 min de leitura

Em maio de 2026, o Elo7 parou de aceitar pedidos. Quem vendia crochê, bordado ou peça de madeira por lá perdeu a vitrine de um dia para o outro.
E a próxima data forte já está chegando. No Google, a busca por "presente artesanal" chega ao pico em dezembro, todo ano. Dá tempo de arrumar a casa, se você começar agora.

O que aconteceu com o Elo7?
O Elo7 fechou. Em 11 de maio de 2026, o Grupo Enjoei, dono do site desde 2023, anunciou o fim da operação. A receita tinha caído 39,5% no fim de 2025, e a empresa disse que ficou caro demais trazer cliente, com os marketplaces gigantes crescendo.
Hoje o site só mostra um aviso: não dá mais para comprar nem vender. Quando a Enjoei comprou o Elo7, eram cerca de 50 mil vendedores ativos.
A lição do Elo7 não é "fuja do marketplace". É: não deixe a sua clientela morar numa casa que não é sua. Quem só tinha o Elo7 perdeu a vitrine e o contato de quem comprava.
Onde vender artesanato agora?
O mais seguro é ter uma vitrine sua e usar os outros canais para levar gente até ela. A loja própria é o endereço fixo. O resto é vitrine emprestada.
Canal | Bom para | Cuidado |
|---|---|---|
Loja própria, no link do WhatsApp e do Instagram | Encomenda, cliente que volta | Quem traz a visita é você |
Instagram e WhatsApp | Mostrar o processo, vender para quem te conhece | Pedido solto na conversa se perde |
Shopee e Mercado Livre | Peça pronta, com estoque | Não têm categoria de artesanato |
Etsy | Vender para fora do Brasil | Site em inglês e frete internacional |
Feira e loja colaborativa | Quem quer tocar a peça | Sem link, a cliente não compra de novo |
A Shopee e o Mercado Livre não têm uma seção só de artesanato: a sua peça aparece ao lado da feita em fábrica, e a comparação vira preço. A Etsy aceita vendedor com sede no Brasil, recebendo por uma conta Payoneer.
Na feira, entregue um cartão com o link da loja junto de cada peça. A primeira venda é na barraca; a segunda pode ser pelo celular. Para divulgar sem pagar, veja como vender no Instagram e como vender pelo WhatsApp.
Vale a pena vender artesanato pela internet?
Vale, e os números de 2026 mostram por quê. Um estudo do Sebrae com dados da PNAD, do IBGE, conta cerca de 1,3 milhão de pessoas trabalhando com artesanato no Brasil. 60,7% são mulheres.
Nas lojas da Nuvemshop, o artesanato vendeu R$ 133 milhões em 2025, 18% a mais que em 2024. E nas lojas pequenas, que faturam até R$ 100 mil por mês, a visita vira compra mais vezes no artesanato (1,01%) que na média de todas as lojas (0,75%).

Um cuidado: o número da Nuvemshop conta só as lojas dela, não o Brasil inteiro. Serve para mostrar a direção, não o tamanho do mercado.
Você já leu que o Brasil tem "8,5 milhões de artesãos, segundo o IBGE". Fomos atrás e não achamos essa pesquisa no IBGE. O número mais antigo que encontramos é uma estimativa do governo de 2002. O dado medido mais recente é o de 1,3 milhão.
Quanto cobrar por artesanato?
O preço do artesanato precisa pagar a sua hora de trabalho, o material e uma parte das contas do mês. Só depois vem o lucro. Quem cobra só o material está trabalhando de graça.
O próprio Sebrae diz isso com todas as letras no guia de preço para artesão: "o preço do artesanato deve incluir o salário do artesão". A conta tem 4 passos.
Ache o valor da sua hora. Quanto você quer tirar por mês, dividido pelas horas que você passa PRODUZINDO. O tempo de responder cliente e comprar linha fica pago assim.
Multiplique pelas horas que a peça leva. Marque no relógio do celular. A gente sempre acha que leva menos.
Some o material e a embalagem.
Some uma parte das contas do mês: luz, internet, a loja online, o MEI. Divida o total pelo número de peças que você vende no mês.

O lucro entra dividindo, não somando: R$ 175 ÷ 0,80 dá R$ 218,75. Somar 20% em cima do custo daria R$ 210, e o lucro de verdade ficaria menor. A conta completa, com taxa e imposto, está no guia como calcular o preço de venda.
Posso só multiplicar o material por 3?
Pode, mas quase sempre você paga mal a sua própria hora. Na mesma cesta, R$ 35 de material vezes 3 dá R$ 105. Tirando o material, sobram R$ 70 para 5 horas: R$ 14 por hora, antes de pagar qualquer conta.

Não achamos a origem da regra do "vezes 3". Ela não aparece nos materiais do Sebrae, que manda cada um calcular a própria conta. Funciona para peça rápida com material caro. Para peça demorada com material barato, como crochê e bordado, é um desastre.
E se ninguém pagar o preço que deu na conta?
Às vezes a conta dá R$ 219 e as pessoas pagam R$ 150 por uma cesta parecida. O Sebrae recomenda preço baseado no custo, com um olho no mercado. Baixar o preço e pagar a diferença com a sua hora não é uma saída.
Faça uma versão menor ou mais simples, que leve 3 horas em vez de 5.
Monte um kit: 3 cestas de tamanhos diferentes vendem melhor juntas que uma cara sozinha.
Mostre o trabalho: vídeo das mãos fazendo, o tempo que leva, a linha que você usa. Quem entende o processo aceita o preço.
Guarde a peça demorada para encomenda, com prazo e preço combinados.
Exemplo pronto: a folha do preço
Copie para o caderno ou para o bloco de notas do celular, uma folha por peça:
Linha da conta | Como achar | Cesta do exemplo |
|---|---|---|
Valor da sua hora | Quanto quer tirar no mês ÷ horas produzindo | R$ 25 |
Horas da peça | Marque no relógio | 5 horas = R$ 125 |
Material e embalagem | Nota do armarinho | R$ 35 |
Contas do mês | Total ÷ peças vendidas no mês | R$ 15 |
Custo | Soma das 4 linhas | R$ 175 |
Preço | Custo ÷ (1 menos o lucro) | R$ 219 |
Como vender peça sob encomenda sem dor de cabeça?
Escreva o prazo de produção na página da peça e combine tudo por escrito antes de começar. A encomenda que dá problema é a que foi combinada por áudio, no meio de outras 30 conversas.

O prazo que a cliente vê tem que ser o total: os dias para fazer mais os dias do frete. Prazo de 10 dias úteis para fazer não é prazo de 10 dias para chegar.

Exemplo pronto, para pôr na descrição de uma peça sob encomenda:
Feita sob encomenda. Começo a sua peça no dia útil seguinte ao pagamento e levo até 10 dias úteis para terminar. Depois disso, ela segue pelo frete que você escolher. Antes de começar, mando uma mensagem para você conferir a cor, a medida e o nome. Dúvidas sobre troca e desistência estão na página de política da loja.
Peça personalizada tem direito de devolução?
A lei não traz exceção para peça personalizada. O artigo 49 do Código de Defesa do Consumidor dá 7 dias, contados do recebimento, para quem compra pela internet desistir. O texto não fala em peça feita sob medida.
Na Justiça, há decisões para os dois lados. O Tribunal do Distrito Federal já negou a desistência de um serviço fotográfico já entregue, por ser pessoal, e já aceitou a de um álbum de formatura. Não achamos uma decisão do STJ sobre o assunto.
Não escreva que "personalizado não tem devolução" como se fosse lei. O que protege você é combinar antes, guardar a aprovação da cliente por escrito e deixar a política da loja fácil de achar. Se a dúvida for de um caso real, pergunte ao Procon da sua cidade ou a um advogado.
Quando se vende mais artesanato?
Em dezembro. No Google Trends dos últimos 5 anos, as 8 semanas com mais busca por "presente artesanal" no Brasil caíram todas em dezembro. "Presente personalizado" sobe em dezembro e na véspera do Dia dos Pais.
O varejo inteiro segue o mesmo ritmo. Na pesquisa mensal do IBGE, dezembro foi o mês de maior venda em 2023, 2024 e 2025, de 20% a 23% acima da média do ano.
Mas pouca loja se prepara. Na pesquisa da Nuvemshop, só 28% dos lojistas fizeram alguma ação de Natal em 2025, contra 55% no ano anterior. Quem aparecer pronto disputa com menos gente.

O Natal de 2026 cai numa sexta-feira. Faça a sua conta de trás para frente: a data em que a peça precisa chegar, menos os dias do frete, menos os dias de produção. E feche a lista quando a sua capacidade encher, não só quando o prazo acabar.
O calendário do ano todo está em datas comemorativas para vender mais. Para as fotos da vitrine, veja como tirar fotos de produtos.
Preciso de MEI ou da Carteira do Artesão para vender?
Para começar, nenhum dos dois é obrigatório para vender para pessoa física. Mas os dois ajudam, e fazem coisas diferentes.
O que muda | Carteira do Artesão | MEI |
|---|---|---|
O que é | Documento que prova que você é artesã | Um CNPJ simples, com INSS |
Quanto custa | Nada | R$ 82,05 por mês na maioria das ocupações de artesão (2026) |
Como tirar | Cadastro no SICAB com a conta gov.br, mais um teste de habilidade | Pela internet, no Portal do Empreendedor |
Vale por | 3 anos | Enquanto faturar até R$ 81 mil por ano |
Dá acesso a | Feiras do programa do governo, cursos, microcrédito e, em alguns estados, isenção de ICMS | Aposentadoria pelo INSS, nota fiscal e conta de empresa |
A validade da carteira mudou. Uma lei de 28 de maio de 2026 fixou 3 anos, renováveis. Algumas páginas do governo ainda falam em 6.
No MEI existem ocupações próprias para artesão, como crocheteira, tricoteira, bordadeira, artesã em madeira, em cerâmica e em couro. Quem só revende peça pronta entra em outra: comerciante de artesanato.
Sobre nota fiscal: o MEI não é obrigado a emitir nota na venda para pessoa física, só se ela pedir. Para empresa, é obrigatório. Quem não tem CNPJ pode pedir nota avulsa na Secretaria da Fazenda do seu estado, e alguns estados, como São Paulo e Santa Catarina, isentam de ICMS a venda do artesão direto para o consumidor. Confira a regra do seu.
Os erros que mais tiram dinheiro de quem vende artesanato
Cobrar só o material e deixar a sua hora de fora.
Depender de um canal só. O Elo7 mostrou o que acontece.
Prazo de produção que não conta o frete.
Encomenda combinada por áudio, sem a cliente aprovar nada por escrito.
Começar a pensar no Natal em dezembro, quando a lista de encomendas já devia estar fechando.
Foto só da peça parada. Mostre na mão, na casa, em uso, e o tamanho com fita métrica.
Para quem vender artesanato online ainda não compensa
Peça grande, frágil e barata. Um vaso de cerâmica de R$ 60 que custa R$ 40 de frete e pode chegar quebrado não fecha a conta. Venda na sua cidade, com entrega ou retirada, e deixe a loja online para as peças que viajam bem.
E se o seu trabalho leva 20 horas e ninguém paga o que ele vale, a loja online não resolve isso sozinha. Nesse caso, a encomenda com preço combinado, ou uma linha de peças mais rápidas, vem antes da vitrine.
Como fazer isso na sua loja Sellit
O preço você calcula na folha acima. O resto tem lugar certo na loja:
Encomenda com prazo na página: no produto personalizável, a cliente escreve o nome, escolhe a cor e manda uma foto de referência antes de pagar. O prazo de produção, em dias úteis, aparece na página.
A mesma peça em várias cores e tamanhos: cada combinação vira uma variação do produto, com preço e estoque próprios. A cesta grande pode custar mais que a pequena.
O conjunto de cestas: um kit de produtos junta as peças com um preço só.
A regra de desistência à vista: a política de troca fica nos termos e políticas da loja.
Para ver lojas de artesanato que já vendem assim, abra a página de loja virtual para artesanato.
De onde vêm os números
Fechamento do Elo7 em 11/05/2026 e queda de 39,5% na receita líquida do 4º trimestre de 2025: E-Commerce Brasil e Exame, 11/05/2026. Aviso no próprio site do Elo7, consultado em 28/09/2026.
Cerca de 50 mil vendedores ativos no Elo7 em 2023: NeoFeed, 18/07/2023. Venda da Etsy para a Enjoei: formulário 8-K da Etsy na SEC, 17/07/2023.
Cerca de 1,3 milhão de pessoas em ocupações ligadas ao artesanato e 60,7% de mulheres: estudo do Sebrae com a Unisinos sobre a PNAD/IBGE, via Agência Sebrae, março de 2026.
Origem do "8,5 milhões": estimativa do governo de 2002 citada em Leite e Sehnem, Cadernos EBAPE, 2018.
Artesanato com R$ 133 milhões em 2025 (+18%), conversão de 1,01% nas lojas de até R$ 100 mil por mês contra 0,75% da média, e 28% dos lojistas com ação de Natal em 2025: NuvemCommerce 2026, Nuvemshop, fevereiro de 2026 (só lojas da Nuvemshop).
Preço com o salário do artesão e preço baseado em custo com olhar no mercado: Sebrae, Precificação no Artesanato, 2014.
Busca por "presente artesanal" e "presente personalizado": Google Trends, Brasil, 5 anos, consultado em 28/09/2026 (índice relativo, não número de buscas).
Dezembro como mês de maior venda do varejo em 2023, 2024 e 2025: IBGE, Pesquisa Mensal de Comércio, tabela 8880, série até julho de 2026.
Direito de desistência de 7 dias: Código de Defesa do Consumidor, art. 49. Decisões do TJDFT: serviço fotográfico (2019) e álbum de formatura (2014).
Carteira do Artesão com validade de 3 anos: Lei nº 15.419, de 28/05/2026. Como tirar, custo e o que dá direito: gov.br.
Teto do MEI de R$ 81 mil: Ministério do Empreendedorismo, setembro de 2026. DAS de 2026 (R$ 81,05 de INSS mais R$ 1 de ICMS): Portal do Simples Nacional, 02/01/2026. Ocupações de artesão: Anexo XI da Resolução CGSN 140, versão vigente desde 01/10/2025.
MEI e nota fiscal para pessoa física: gov.br, perguntas frequentes do MEI. Isenção de ICMS do artesão: RICMS de São Paulo, Anexo XXI e RICMS de Santa Catarina, Anexo 2.
Imagens: capa e foto da embalagem geradas com a IA da Sellit; artes do Blog da Sellit.
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Perguntas frequentes
- Onde vender artesanato agora que o Elo7 fechou?
- O mais seguro é ter uma loja própria e mandar o link no WhatsApp, no Instagram e na feira. Shopee, Mercado Livre e Etsy podem entrar como extra, mas nenhum deles tem uma seção só de artesanato no Brasil, e a Etsy é mais útil para vender para fora do país.
- Quanto cobrar por hora de artesanato?
- Divida quanto você quer tirar por mês pelas horas que passa produzindo. Quem quer R$ 2.000 e produz 80 horas no mês chega a R$ 25 por hora. Multiplique pelas horas da peça, some material e uma parte das contas do mês, e só depois ponha o lucro.
- Precisa de MEI para vender artesanato?
- Não é obrigatório para começar a vender para pessoa física. O MEI tem ocupações próprias de artesão, como crocheteira e bordadeira, custa cerca de R$ 82 por mês em 2026 e dá INSS e CNPJ. A Carteira do Artesão é outra coisa: é gratuita, vale 3 anos e dá acesso a feiras e cursos do programa do governo.
- Peça personalizada pode ser devolvida?
- A lei não traz exceção para peça personalizada: o Código de Defesa do Consumidor dá 7 dias para desistir de compra feita pela internet. Há decisões da Justiça para os dois lados. O que protege você é combinar tudo por escrito antes de produzir e deixar a política da loja fácil de achar.
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