Vendas e atendimento

Como vender material escolar: quando o pai compra, onde está o lucro e o selo que o anúncio precisa ter

Compre o estoque até novembro e anuncie em dezembro: a busca por material escolar chega ao pico entre 4 e 18 de janeiro. O lucro está no lápis e na borracha, não no caderno. E lápis, borracha, caneta e cola precisam do selo do Inmetro, também no anúncio.

Por Thiago Bastos14 min de leitura

Dia 5 de janeiro, 21h. A mãe manda no WhatsApp a foto da lista da escola: "você tem tudo isso? quanto fica?". Quem responde com o preço do kit em 5 minutos vende. Quem ainda vai ao atacado no dia seguinte já perdeu: essa é a semana em que o Brasil inteiro procura material escolar.

Para vender material escolar, compre o estoque até novembro, anuncie em dezembro e venda o kit da lista entre 4 e 18 de janeiro. O lucro está no lápis e na borracha, não no caderno. E lápis, borracha, caneta e cola só podem ser vendidos com o selo do Inmetro, que tem de aparecer também no anúncio.

Arte com a resposta curta em 4 passos: comprar até o fim de novembro, porque na caixa fechada o lápis custa um terço do preço de balcão; anunciar na 1ª quinzena de dezembro, quando a busca dos pais começa a subir; vender o kit da lista, porque o pico é entre 4 e 18 de janeiro; e mostrar o selo do Inmetro no anúncio de lápis, borracha, caneta e cola.

Vender material escolar dá dinheiro?

Dá, e quase tudo num mês só. Na Pesquisa Mensal de Comércio do IBGE, janeiro é o mês que mais vende papelaria todos os anos, de 2022 a 2025. Em janeiro de 2026, livros e papelaria venderam 77,3% acima da média do ano anterior. Janeiro e fevereiro juntos são cerca de um quarto das vendas do ano inteiro.

A margem do setor também é boa. Na Pesquisa Anual de Comércio do IBGE (2024), o varejo de artigos culturais, recreativos e esportivos, grupo em que a papelaria entra, vende em média R$ 1,72 para cada R$ 1 que pagou pela mercadoria. Isso é antes de frete, aluguel e taxas.

Mas o lucro não está espalhado por igual. Fizemos a conta com preços reais de caixa fechada e de balcão:

Arte com quanto o preço de balcão fica acima do custo na caixa fechada: lápis preto mais 206%, borracha mais 68% e caderno de 10 matérias só mais 23%. O lápis custa R$ 0,67 na caixa de 72 e sai a R$ 2,05 no balcão; o caderno custa R$ 16,99 no atacado e sai a R$ 20,96. Fontes: Amazon e atacado de papelaria em 23/10/2026 e média do Procon Goiás em dezembro de 2025.

O lápis Faber-Castell saía a R$ 0,67 na caixa de 72 da Amazon (23/10/2026). Nas papelarias de Goiânia, o lápis preto Faber-Castell custava em média R$ 2,05, segundo o Procon Goiás. No caderno, a diferença quase some: R$ 16,99 num atacado de papelaria contra R$ 20,96 no balcão.

O caderno traz o cliente. O lápis, a borracha e a cola pagam a conta. Por isso o kit vende melhor que o item solto: ele junta o que atrai com o que dá lucro.

Um número que circula em sites de varejo diz que "o mercado de papelaria movimentou R$ 49,3 bilhões em 2025, segundo a GfK". Fomos atrás da origem. O número é de uma pesquisa do Instituto Locomotiva com a QuestionPro, publicada em janeiro de 2025, e mede quanto as famílias gastaram com material escolar em 2024. Mudou o ano, o que mede e quem mediu.

Quando começar a vender material escolar?

Agora, comprando. Em dezembro, anunciando. No Google, a busca por "material escolar", "lista de material escolar" e "mochila escolar" chega ao pico entre os dias 4 e 18 de janeiro, todo ano. Ela começa a subir em dezembro e passa da metade do pico só na virada do ano.

Arte com o calendário da procura por material escolar no Google: começa a subir em dezembro, entre os dias 8 e 28; passa da metade do pico na virada do ano; chega ao pico entre 4 e 18 de janeiro; as aulas das redes estaduais começam em 04/02 no Paraná, 11/02 em São Paulo e 15/02 no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina; em julho, a busca fica em só 8% a 10% do pico. Fonte: Google Trends, Brasil, 2022 a 2026.

Muito revendedor chega tarde. Em 3 dos últimos 4 anos, a busca por "material escolar atacado" teve o pico uma semana antes da busca dos pais. Comprar nessa semana é chegar ao atacado junto com o cliente.

E não conte com julho. A busca do 2º semestre fica em 8% a 10% do pico de janeiro, e no IBGE o mês de julho vende abaixo da média do ano. Compre para janeiro e fevereiro. O que sobrar vai ficar parado até dezembro.

Em 2027 o Carnaval cai cedo, na terça-feira, 09/02, e encosta no começo das aulas:

Rede de ensino

Começo das aulas em 2027

Situação

Estadual do Paraná

Quinta, 04/02

Calendário publicado em 19/10/2026

Estadual de São Paulo

Quinta, 11/02

Resolução Seduc 80/2026

Estadual do RS

Segunda, 15/02

Previsão da Seduc-RS

Estadual de SC

Segunda, 15/02

Calendário publicado

Municipal de São Paulo

Ainda não saiu

Em 2026 foi 04/02

Carnaval

Terça, 09/02

Feriado nacional

Escola particular e rede municipal têm calendário próprio. Pergunte nos grupos de pais da sua cidade: a data da sua região vale mais que a média do país.

Onde comprar material escolar no atacado para revender?

Em atacado de papelaria com CNPJ e preço na página, e compare com a caixa fechada dos marketplaces. Os atacados vendem por caixa ou pote, e alguns pedem um valor mínimo por pedido (vimos R$ 100 num atacado de São Paulo).

Nem sempre o atacado é o mais barato. Em 23/10/2026, a caixa com 60 borrachas Mercur saía a R$ 44,40 num atacado de papelaria do Rio e a R$ 32,50 na Amazon. Antes de fechar o pedido, procure a mesma caixa nos dois lugares.

Caixa barata sem selo do Inmetro é prejuízo, não economia. A associação dos fabricantes de artigos escolares (Abfiae) pede ao varejo: não compre no atacado pacote ou caixa sem informação do produto e sem o selo. E produto de personagem, só do fornecedor que tem contrato com a licença.

Mais sobre como achar e testar um fornecedor em fornecedores para revenda.

Material escolar precisa de selo do Inmetro?

Sim, na maior parte do kit. A Portaria 423/2021 do Inmetro obriga a certificação de 24 tipos de artigo escolar feitos para crianças com menos de 14 anos. Lápis, borracha, caneta, cola, apontador, régua e tesoura de ponta redonda estão na lista. Caderno, mochila e livro, não.

Arte com o que precisa do selo do Inmetro: lápis, lápis de cor e giz de cera; borracha, apontador e régua; caneta, canetinha e marca-texto; cola, tinta e tesoura de ponta redonda; estojo e lancheira com desenho. Não precisam: caderno, mochila, livro e estojo e lancheira lisos. Vale para material de criança com menos de 14 anos, e quem só revende também responde. Fonte: Inmetro, Portaria 423/2021 e perguntas frequentes de 07/04/2026.

O anúncio na internet também tem que mostrar o selo. Nas perguntas frequentes atualizadas em 07/04/2026, o Inmetro diz que a venda online deve ter as mesmas informações da prateleira, "inclusive quanto ao Selo de Identificação da Conformidade e ao número de registro".

E quem só revende responde junto. A multa da Lei 9.933/1999 vai de R$ 100 a R$ 1,5 milhão, e o Inmetro também pode apreender o produto. Em janeiro de 2026, a Operação Aulas Seguras fiscalizou 2.532 lojas e notificou 260. A caneta foi o item com mais irregularidades: 15.593.

Na prática:

  • No anúncio: foto da embalagem com o selo, junto da idade indicada.

  • No kit: se você tira lápis ou borracha da caixa, guarde a caixa com o selo. O Inmetro pede que o produto solto possa ser ligado à embalagem de origem.

Como montar um kit escolar para vender?

Monte o kit pela lista da escola, em mais de uma faixa de preço. O pai quer resolver tudo de uma vez: em Manaus, 70% das famílias disseram que compram todo o material numa compra só (Fecomércio-AM, dezembro de 2025).

E ele compara. Numa pesquisa nacional do Instituto Locomotiva com a QuestionPro (divulgada em 06/01/2026), 9 em cada 10 pais pesquisam preço, 2 em cada 3 trocam o item por uma marca mais barata e 8 em cada 10 reaproveitam material do ano anterior.

Mãos fechando um saquinho transparente com dois lápis, uma borracha e uma régua, ao lado de outros três kits prontos, uma pilha de cadernos coloridos e lápis de cor numa mesa de madeira.

Kit

O que vai dentro

Para quem

Econômico

Marca de entrada, com selo

Quem pesquisa preço

Marca conhecida

Os itens que a lista pede

Quem não quer errar

Só o que falta

A lista menos o que sobrou

Quem reaproveita

Personagem

Estojo e mochila licenciados

Quando a criança escolhe

A criança pesa na escolha: em 45% das famílias, é ela quem escolhe a maioria dos itens, segundo a mesma pesquisa. Por isso o kit de personagem vende. Só compre de quem tem a licença, e lembre que estojo com desenho precisa de selo.

Exemplo pronto para mandar no WhatsApp e no Status no começo de dezembro:

"Oi! Já chegou a lista de material de 2027? Me manda a foto que eu monto o kit e te passo o valor hoje. Tudo com selo do Inmetro. Entrego no bairro ou você retira aqui."

  • Quando a lista chegar: responda com 2 preços, o kit econômico e o de marca conhecida.

  • Pergunte o que sobrou do ano passado: cobrar só o que falta fecha mais venda do que empurrar a lista inteira.

  • Dê um prazo de entrega: "fica pronto até sexta" vende mais que "vou ver".

Vale a pena vender material escolar na Shopee ou no Mercado Livre?

Item barato e solto, não. Na Shopee, quem vende com CNPJ paga 20% mais R$ 4,50 por item até R$ 79,99 (tabela atualizada em 21/10/2026). Abaixo de R$ 8, o valor fixo cai para a metade do preço. Mesmo assim, uma borracha de R$ 0,91 deixa 70% do preço na comissão.

Arte comparando o mesmo kit de R$ 36,30 (1 caderno, 2 lápis, 1 borracha e 1 cola), com custo de R$ 25,86: na venda direta pelo WhatsApp ou loja própria, sem comissão de marketplace, sobram R$ 10,44; na Shopee, com comissão de 20% mais R$ 4,50, o lojista perde R$ 1,32. Valores antes do frete.

Fizemos a conta com um kit simples, montado com os preços de atacado e de balcão acima. Na venda direta, sobram R$ 10,44. Na Shopee, o mesmo kit dá prejuízo. No Mercado Livre, a tarifa do anúncio Clássico vai de 10% a 14%, e o item barato ainda tem outros custos.

O pai de material escolar ainda compra mais na loja física. Na pesquisa da Locomotiva, a loja física é o canal principal para 45% e só 16% compram a maior parte pela internet. Para quem revende, isso aponta para venda no bairro: WhatsApp, Instagram, loja própria e entrega ou retirada. Mais sobre essa escolha em loja própria ou marketplace.

A escola pode obrigar a comprar numa loja?

Não. O Procon Goiás orienta que a escola "não pode exigir marca, modelo ou estabelecimento comercial" para o material. E a Lei 12.886/2013 proíbe pedir na lista material de uso coletivo, como papel higiênico ou folhas para a escola.

Pode dizer ao cliente, sem medo: a lista não obriga marca nem loja. A exceção é o uniforme com o logo da escola.

Dá para vender material escolar para a prefeitura?

Dá, pelo crédito que algumas prefeituras dão às famílias. Nesses programas, a prefeitura credencia lojas e a família escolhe onde gastar. Não é licitação: não tem disputa de preço, entra quem cumpre os requisitos.

Arte sobre o crédito de material escolar das prefeituras: 1.180 lojas credenciadas para material escolar na cidade de São Paulo em 2026, contra 800 em 2025; e 5 dias de prazo para se credenciar em Mendes, no Rio de Janeiro, de 12 a 16 de janeiro de 2026, com MEI aceito.

Na cidade de São Paulo, o credenciamento fica aberto o ano todo, mas pede loja física ou stand na cidade e nota fiscal no CPF do responsável pelo aluno. Quem só vende pela internet pode ser distribuidor de uma loja credenciada. No Distrito Federal, o Cartão Material Escolar pede o CNAE de papelaria e sede no DF.

Em cidade pequena, o prazo é curto. Em Mendes (RJ), foram 5 dias em janeiro. Se a sua cidade tem um programa assim, acompanhe o diário oficial da prefeitura a partir de dezembro.

Precisa de CNPJ para vender material escolar?

O MEI resolve, e para vender à prefeitura o CNPJ é obrigatório. Em 2026, o MEI do comércio paga R$ 82,05 por mês. Escolha a ocupação pelo que você vende:

Ocupação do MEI

CNAE

O que cobre

Papeleiro(a) independente

4761-0/03

Material escolar e papelaria

Livreiro(a) independente

4761-0/01

Livro, inclusive didático

Comerciante de artigos usados

4785-7/99

Material usado

A regra da nota fiscal do MEI muda em 2027 e ainda está sendo ajustada. A Resolução CGSN 190/2026 manda o MEI emitir documento fiscal nas vendas a partir de 01/01/2027. Em 21/10/2026, o Decreto 13.140 abriu a porta para a declaração anual do MEI valer como documento na venda para pessoa física, mas isso ainda depende de uma decisão do Comitê Gestor do Simples Nacional.

Venda para prefeitura sempre pede nota. Mais sobre a escolha entre CPF e MEI em vender com CPF ou MEI.

Dá para vender material escolar usado?

Dá, e a procura por livro usado cresce. Em Belo Horizonte, a intenção de comprar livros e apostilas reutilizados quase dobrou de 2025 para 2026, segundo o Ipead/UFMG (a pesquisa ouviu 230 pessoas). Livro não precisa de selo do Inmetro.

Para os outros itens usados, não achamos regra do Inmetro que trate de revenda. E o Código de Defesa do Consumidor não abre exceção para o usado: são 90 dias para reclamar de defeito em produto durável, como a mochila.

Os erros que mais custam na volta às aulas

  1. Comprar caixa sem selo porque está barata. A multa vai até R$ 1,5 milhão, e caneta é o item que mais cai na fiscalização.

  2. Anunciar sem foto do selo. O Inmetro pede no anúncio o que pede na prateleira.

  3. Ir ao atacado em janeiro. É a mesma semana em que o pai compra.

  4. Vender borracha e lápis soltos no marketplace. A comissão fica com quase tudo.

  5. Comprar estoque pensando em julho. A procura do 2º semestre é de 8% a 10% da de janeiro.

  6. Kit de personagem sem licença. A associação dos fabricantes pede ao varejo que não compre.

Para quem a volta às aulas rende menos

Se você não pode deixar dinheiro parado em estoque de fevereiro a dezembro, compre pouco. Material escolar vende quase tudo em janeiro e fevereiro. O que sobra espera o ano seguinte, e a lista da escola pode mudar.

E se você vende só para longe, pelo marketplace, a conta do item barato não fecha. A volta às aulas rende mais para quem atende o bairro e a cidade.

Como fazer isso na Sellit

Três recursos ajudam a vender a lista sem ficar mandando link de produto um por um:

  • A lista vira uma sacola pronta: com o carrinho compartilhável, você põe os itens da lista na sacola e manda um link só. O pai abre, confere e paga.

  • Kit por série com preço próprio: no kit de produtos, você junta até 20 produtos num combo, com preço menor que a soma.

  • O pai busca na sua casa ou loja: com a retirada no local, o checkout mostra a opção de retirar, sem frete.

De onde vêm os números

  • material escolar
  • volta às aulas
  • kit escolar
  • Inmetro
  • revenda
  • papelaria

Perguntas frequentes

Vender material escolar dá dinheiro?
Dá, concentrado em janeiro e fevereiro. Pelo IBGE, janeiro é o mês que mais vende papelaria todo ano e vendeu 77,3% acima da média em 2026. O lucro maior está no lápis e na borracha: o lápis sai a R$ 0,67 na caixa e a cerca de R$ 2 no balcão. No caderno, a diferença é pequena.
Precisa de selo do Inmetro para vender material escolar pela internet?
Sim, para 24 tipos de produto, como lápis, borracha, caneta, cola, apontador, régua e tesoura de ponta redonda. O Inmetro diz que o anúncio online deve mostrar o selo e o número de registro, como na loja física. Caderno, mochila e livro não precisam.
Qual o CNAE para vender material escolar?
O CNAE é 4761-0/03, comércio varejista de artigos de papelaria. O MEI pode usar: a ocupação é papeleiro(a) independente. Para livro, é 4761-0/01 (livreiro independente).
Onde comprar material escolar barato para revender?
Em atacado de papelaria com CNPJ e preço na página, comprando por caixa. Compare com a caixa fechada da Amazon e de outros marketplaces, que às vezes sai mais barata. Não compre caixa sem o selo do Inmetro, nem produto de personagem sem licença.

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