Vendas e atendimento

O que vender no verão para ganhar dinheiro: o que a onda de calor faz vender, os produtos que têm regra e as datas até o Carnaval

Venda o que resolve o calor (ventilador, moda praia, protetor solar, piscina inflável) com estoque antes da onda de calor, e siga o calendário: material escolar em janeiro e fantasia antes do Carnaval de 09/02/2027. O El Niño deve deixar o país mais quente que o normal.

Por Thiago Bastos15 min de leitura

No Natal de 2025, uma onda de calor levou São Paulo a 35,9 °C, a maior temperatura já medida na cidade num mês de dezembro, segundo o INMET. Na Shopee, a venda de ventilador em dezembro foi 127% maior que em novembro. Quem tinha estoque vendeu. Quem não tinha, ficou olhando.

Para vender no verão, ofereça o que resolve o calor (ventilador, moda praia, protetor solar, garrafa térmica, piscina inflável) com estoque antes da onda de calor, e siga o calendário: material escolar em janeiro e fantasia antes do Carnaval, que cai em 09/02/2027. E confira a regra do produto antes de anunciar: vários itens de verão têm.

Arte com como vender no verão em 4 passos: tenha estoque antes do calorão, porque ventilador, protetor e piscina chegam ao pico de busca na onda de calor; ponha moda praia na loja em novembro, porque a busca sobe entre outubro e novembro e chega ao pico na virada do ano; janeiro é da volta às aulas, e papelaria é o único setor que cresce no mês; confira a regra de protetor solar, ventilador, roupa e comida.

O que vender no verão para ganhar dinheiro?

Venda o que você já vende, na versão do calor. Quem compra no verão quer resolver um problema agora: o quarto quente, a viagem da semana que vem, a praia do fim de semana. Ideias por tipo de loja:

Se você vende

O que oferecer no verão

Ideia de kit

Roupa e moda

Moda praia, saída de praia, peça leve

Biquíni + saída + bolsa de palha

Cosmético e perfumaria

Protetor solar lacrado, pós-sol

Kit pós-praia numa necessaire

Casa e utilidades

Ventilador com selo, garrafa térmica, piscina inflável

Garrafa + copo térmico

Acessórios

Óculos de sol, chapéu, bolsa de praia

Chapéu + óculos + canga

Papelaria

Material escolar, etiqueta com nome

Kit escolar por série

Infantil

Roupa de praia, balde e pá

Kit areia com chapéu infantil

Comida

Geladinho, açaí, bebida gelada

Combo para entrega no bairro

Monte o kit com um preço um pouco abaixo da soma das peças, para a vantagem aparecer. Balde, pá e qualquer brinquedo de areia precisam da certificação do Inmetro, como todo brinquedo. Comida tem licença e rótulo próprios: o passo a passo está em como vender comida pela internet.

Quando começar a vender produtos de verão?

Agora, em outubro. No Google, as buscas por ventilador e piscina inflável começam a subir no começo de outubro, nos 4 últimos verões. Moda praia sai do vale entre meados de outubro e o fim de novembro, e chega ao pico na virada do ano.

Mas o pico não segue o calendário. Segue a onda de calor. Em novembro de 2023, uma onda de calor de 8 a 19/11 bateu o recorde de 44,8 °C em Araçuaí (MG). Naquela mesma semana, "ventilador" teve a maior busca dos últimos 5 anos, e protetor solar, piscina inflável e garrafa térmica também chegaram ao pico.

Arte mostrando que o pico de busca é a onda de calor, não a data: em novembro de 2023, a onda de calor de 8 a 19/11, com recorde de 44,8 °C, coincidiu com a maior busca por ventilador em 5 anos; em dezembro de 2025, a onda de calor a partir de 22/12 levou ventilador, piscina inflável e protetor solar ao pico na semana seguinte; a venda de ventilador no Magalu subiu 70% a partir de 20/12/2025, contra os 19 primeiros dias do mês.

No verão passado foi igual. A onda de calor começou em 22/12/2025, e na semana de 28/12 a 03/01 ventilador, piscina inflável e protetor solar tiveram a maior busca do verão. No Magazine Luiza, a venda média de ventilador subiu 70% a partir de 20 de dezembro, contra os 19 primeiros dias do mês.

A onda de calor não avisa com um mês de antecedência. O estoque tem que chegar antes dela. Quem vende ventilador ou piscina e espera a previsão do tempo para comprar recebe a mercadoria quando o calor já passou.

Quando a onda vier, avise quem já é seu cliente. Uma mensagem pronta para mandar no WhatsApp e no Status:

"Calorão chegando! Ventilador com selo do Inmetro a pronta entrega, com entrega hoje no bairro para pedidos até as 14h. Responda QUERO que eu te mando as fotos."

Troque o produto e o horário pelos seus. O que faz a mensagem vender é dizer que tem estoque e quando chega.

O verão de 2026 vai ser mais quente?

A previsão aponta para sim. O Painel El Niño, formado pelo INMET e outros órgãos, deu em 30/09/2026 uma chance de 95% de El Niño muito forte de outubro a dezembro, e disse que "as temperaturas devem ficar acima da faixa normal em quase todo o País". A agência dos Estados Unidos que acompanha o fenômeno (NOAA) dá mais de 83% de chance de El Niño forte a muito forte até março de 2027.

Arte sobre o El Niño do verão 2026/2027: 95% de chance de El Niño muito forte de outubro a dezembro de 2026, com temperatura acima do normal em quase todo o país (Painel El Niño, 30/09/2026); 83% de chance, ou mais, de El Niño forte a muito forte até março de 2027 (NOAA, 08/10/2026); no sul do Rio Grande do Sul, a previsão é de temperatura na média ou abaixo dela.

Para outubro a dezembro, o INMET prevê o calor maior no Norte e em partes do Nordeste, do Centro-Oeste e do Sudeste, até 1 °C acima da média. O oeste e o sul do Rio Grande do Sul devem ficar na média ou abaixo dela. O prognóstico do verão em si só sai em dezembro: é tendência, não certeza.

O último El Niño foi em 2023, o ano da onda de calor de novembro e do recorde de 44,8 °C. Não dá para prometer que vai se repetir. Dá para não ser pego sem estoque.

O que mais vende em janeiro e fevereiro?

Em janeiro, só a papelaria cresce. Na Pesquisa Mensal de Comércio do IBGE, livros e papelaria venderam 77,3% acima da média do ano em janeiro de 2026. O mesmo aconteceu em 2025 (81,9%) e em 2024 (70%). É a volta às aulas.

Arte com quanto cada setor vendeu em janeiro de 2026 comparado à média de 2025, em volume: livros e papelaria 77,3% acima; eletrodomésticos 4,7% acima; supermercado 1,2% abaixo; farmácia e perfumaria 3,5% abaixo; roupa e calçado 16,5% abaixo. Fonte: IBGE, Pesquisa Mensal de Comércio.

O resto do varejo cai. De dezembro para janeiro, as vendas do varejo caíram 18,6%. Roupa e calçado vendem a metade do que venderam em dezembro (queda de 51,2%) e ficam 16,5% abaixo da média do ano. Eletrodomésticos seguram janeiro um pouco acima da média, o que combina com o calor, mas o IBGE não separa o ventilador.

Fevereiro é pior. Em 2025, foi o mês mais fraco do ano para o varejo, para roupa e calçado e para farmácia e perfumaria.

O bolso explica. Em janeiro de 2026, 79,5% das famílias tinham alguma dívida, de volta ao recorde, segundo a CNC. E 8 em cada 10 pais disseram que pretendiam reaproveitar o material escolar do ano anterior; 2 em cada 3 trocam por uma marca mais barata quando o preço passa do esperado (Instituto Locomotiva).

Em janeiro, ganha quem tem preço de entrada. O Procon-SP achou a mesma caneta de R$ 1,30 a R$ 4,90 nas papelarias da capital, uma diferença de 276%. Quem pesquisa preço desse jeito compra o kit que já vem montado e com o preço fechado.

As datas do verão 2026/2027

O verão começa na segunda-feira, 21/12/2026, às 17h50 (horário de Brasília), e termina no sábado, 20/03/2027. No meio dele estão a virada do ano, a volta às aulas e o Carnaval.

Arte com as datas que mexem na venda no verão: 21/12, segunda, começa o verão no fim da tarde; 1ª quinzena de janeiro, pico da busca por material escolar; 31/01 a 06/02, semana em que a busca por fantasia costuma chegar ao pico; 09/02, terça, Carnaval de 2027; 15/03, segunda, Dia do Consumidor; o verão acaba no sábado, 20/03.

Quando

O que acontece

O que fazer

Até o fim de novembro

Busca por moda praia sai do vale

Fotos e estoque de verão na loja

21/12, segunda

Começa o verão

Vitrine e banner de verão

28/12 a 03/01 (no verão passado)

Pico de busca de ventilador e piscina

Estoque pronto antes da virada

1ª quinzena de janeiro

Pico da busca por material escolar

Kit escolar na loja desde dezembro

31/01 a 06/02

Semana que costuma ter o pico da fantasia

Último envio para chegar antes da folia

04/02 (PR) e 11/02 (SP)

Começam as aulas na rede estadual

Últimos pedidos de material

09/02, terça

Carnaval

Entrega no bairro para quem deixou para depois

15/03, segunda

Dia do Consumidor

Promoção do que sobrou do verão

20/03, sábado

Fim do verão

Tirar o verão da vitrine

A semana da fantasia é uma conta nossa: nos últimos 5 Carnavais, o pico de busca caiu sempre na semana que termina no sábado de Carnaval. As datas de aula de SP e do PR já estão publicadas; nos outros estados, confira a secretaria de educação. Em 2026, as aulas da rede estadual começaram entre 04/02 e 09/02 no Rio de Janeiro, em Minas Gerais e na Bahia.

Produtos de verão que têm regra

Nenhum dos 6 artigos mais bem colocados sobre o que vender no verão cita a Anvisa ou o Inmetro. E vários sugerem justamente os produtos que têm regra. Antes de anunciar, confira:

Arte com o que pode e o que não pode vender no verão: pode protetor solar lacrado, com registro na Anvisa; não pode protetor em miniatura que você mesmo encheu; não pode protetor caseiro ou natural feito em casa; pode ventilador com o selo do Inmetro; pode biquíni com etiqueta com composição, tamanho e CNPJ; pode geladinho feito em casa, com licença da vigilância sanitária.
  • Protetor solar: precisa de registro na Anvisa (RDC 907/2024, art. 34). Quem só revende o produto lacrado não precisa de autorização da Anvisa (RDC 16/2014, art. 5º). Já dividir em frascos menores exige essa autorização, e protetor feito em casa não pode ser vendido, porque nenhum produto sem registro pode ser exposto à venda (Lei 6.360/1976, art. 12). No anúncio, não escreva "100% de proteção" nem "não precisa reaplicar": a RDC 629/2022 proíbe.

  • Ventilador: o de mesa, de parede e de coluna precisa da certificação do Inmetro (Portaria 299/2021). O de bateria ou USB segue a regra de eletrodomésticos, que também exige certificação (Portarias 638/2025 e 148/2022). Quem vende também responde pela regra (Lei 9.933/1999). Confira o registro do modelo na consulta do Inmetro antes de comprar do fornecedor.

  • Boia de braço, boia de cintura e colete inflável: não são brinquedo, diz o Inmetro (Portaria 302/2021, Anexo V). Não anuncie como brinquedo.

  • Óculos de sol: não achamos certificação obrigatória do Inmetro. Um projeto de lei que criaria a exigência está parado no Senado desde 2025.

  • Moda praia: biquíni, maiô, canga e saída de praia precisam de etiqueta com fornecedor e CNPJ, país de origem, composição em %, cuidados de lavagem e tamanho (Portaria Inmetro 118/2021).

  • Geladinho, picolé e açaí feitos em casa: o MEI pode ser regularizado com cozinha em casa e não paga taxa da vigilância sanitária (RDC 49/2013). Quem decide se a atividade é de baixo risco é a vigilância da sua cidade. Produto embalado antes da venda precisa de rótulo (RDC 727/2022).

Pode vender na praia sem licença?

Não. Vender na areia depende de licença da prefeitura de cada cidade. No Rio de Janeiro, o comércio ambulante na orla sem permissão é proibido (Decreto 56.160/2025), e desde julho de 2026 há um programa de fiscalização permanente na orla do Leme ao Leblon (Decreto 58.256/2026). Em Santos, a prefeitura limita a 300 as licenças na faixa de areia (Decreto 10.051/2023).

Este artigo é para quem vende pela internet e pelo WhatsApp. Se a ideia é vender na areia, o primeiro passo é a secretaria de ordem pública ou de posturas da sua cidade, antes de comprar a mercadoria.

Como mandar produto pelo correio no calor?

O que estraga não vai pelos Correios. A Lei Postal (Lei 6.538/1978, art. 13) proíbe o envio de alimento que estraga fácil. Se for achado, os Correios apreendem e podem descartar, sem indenização. Geladinho, açaí e doce com recheio que estraga ficam para a entrega no bairro.

Mãos de uma mulher colocando uma canga colorida e um chapéu de palha numa caixa de papelão com papel kraft amassado, com um rolo de barbante ao lado, na mesa da cozinha.

Cosmético e protetor solar podem ir, mas a embalagem tem que segurar o produto "mesmo com variações de temperatura, umidade e pressão", pedem os Correios. E se a encomenda chegar avariada por embalagem ruim, não há indenização (Termo de Condições Comerciais, item 18.15). Ventilador portátil tem bateria de lítio, que tem regras próprias de envio: confira na página de proibições e restrições dos Correios antes de postar.

Para o que derrete no caminho, como chocolate, vela e batom, a entrega de moto no mesmo dia é a mais segura no verão. Mais sobre caixa e enchimento em como embalar produtos para envio.

Os erros que mais custam no verão

  1. Comprar estoque quando o calor já chegou. A mercadoria chega quando a onda passou.

  2. Pôr a moda praia na loja em dezembro. A busca já saiu do vale entre outubro e novembro.

  3. Deixar o material escolar para fevereiro. O pico de busca é na primeira quinzena de janeiro.

  4. Vender protetor em miniatura ou ventilador sem selo. Os dois têm regra, e o anúncio pode cair.

  5. Mandar o que estraga ou derrete pelo correio. O que estraga é proibido; o que derrete chega estragado.

  6. Prometer entrega antes do Carnaval sem fazer a conta. O prazo que você promete vira obrigação.

Para quem o verão rende menos

Se você vende roupa que não é de praia, janeiro e fevereiro são os meses mais fracos do ano. Roupa e calçado vendem a metade de dezembro e ficam abaixo da média até março. Para essa loja, o verão é hora de queimar o estoque do inverno passado e preparar o Dia das Mães, e não de comprar mais.

No Sul, em especial no oeste e no sul do Rio Grande do Sul, a previsão para o fim do ano é de temperatura na média ou abaixo dela. O produto de calor pode girar menos por lá. E quem vende presente fica sem data grande: entre o Natal e o Dia das Mães, os empurrões são o Dia da Mulher (08/03) e o Dia do Consumidor (15/03).

Como fazer isso na Sellit

Três recursos ajudam a vender o verão sem mexer no preço de cada produto:

  • Kit de verão com preço próprio: no kit de produtos, você junta chapéu, canga e garrafa num combo com preço menor que a soma, e o kit aparece na página das peças que você escolher.

  • Fila de espera do esgotado: quando o ventilador acaba no meio da onda de calor, o avise-me quando chegar troca o botão de compra por uma lista de espera e avisa quem estava na fila quando você repõe.

  • Entrega de moto no bairro: no frete personalizado, você cria uma opção só para a sua cidade ou para um raio em km, com o seu preço e o seu prazo. É a saída para o que derrete ou não pode esperar o correio.

De onde vêm os números

  • verão
  • o que vender no verão
  • onda de calor
  • moda praia
  • volta às aulas

Perguntas frequentes

O que vender no verão para ganhar dinheiro?
O que resolve o calor e o que o calendário pede. Ventilador com selo do Inmetro, moda praia, protetor solar lacrado, garrafa térmica e piscina inflável chegam ao pico de busca na onda de calor. Em janeiro, material escolar: livros e papelaria venderam 77,3% acima da média do ano em janeiro de 2026, segundo o IBGE.
Quando começar a vender produtos de verão?
Em outubro. As buscas por ventilador e piscina inflável começam a subir no começo de outubro, e moda praia sai do vale entre outubro e novembro. O estoque precisa estar pronto antes da primeira onda de calor, porque é nela que a busca chega ao pico.
Precisa de autorização para vender protetor solar?
Para revender o protetor lacrado, com registro na Anvisa, não: o comércio varejista de cosméticos é dispensado da autorização de funcionamento (RDC 16/2014). Para dividir em frascos menores, precisa. E protetor feito em casa, sem registro, não pode ser vendido (Lei 6.360/1976, art. 12).
Pode vender na praia sem licença?
Não. O comércio na areia depende de licença da prefeitura de cada cidade. No Rio de Janeiro, vender na orla sem permissão é proibido (Decreto 56.160/2025), e em Santos a prefeitura limita a 300 as licenças na faixa de areia (Decreto 10.051/2023).

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