Como vender produtos pet pela internet: ração a granel pode, remédio tem regra e o frete se paga pelo peso
Para vender produtos pet pela internet, comece pelo que acaba todo mês: ração, areia, tapete e petisco. Ração a granel pode desde 2024, sem rótulo próprio. Antipulgas e vermífugo exigem loja registrada no MAPA com veterinário, e o MEI não cobre remédio. Saco de 15 kg paga frete pelo peso: entregue no bairro.
Por Thiago Bastos15 min de leitura

O saco de 15 kg acaba numa terça à noite. O tutor abre o celular e compra de quem aparecer primeiro: o pet shop da esquina, um aplicativo ou um site grande.
Quem vende ração pela internet não vende uma vez, vende a cada 2 ou 3 meses. Em 2025, o setor pet faturou R$ 77,96 bilhões no Brasil, e R$ 6,31 bilhões (8,1%) passaram pelo e-commerce, segundo o balanço da Abempet.
Antes de abrir a loja, porém, vale saber 3 coisas que quase ninguém conta: o que a lei deixa vender, quanto custa mandar um saco pesado e quando o cliente vai voltar. A resposta curta:

Vale a pena vender produtos pet pela internet?
Vale, se você souber onde está o dinheiro. Quase metade do setor (48,1%) passa pelo pet shop pequeno e médio, e a loja virtual desses pet shops já vendeu R$ 1,27 bilhão em 2025. É 1 de cada 5 reais do pet online.

Do lado de quem compra, a internet também cresce. Numa pesquisa da Opinion Box com 1.078 tutores (fevereiro de 2026, painel online), 27% citaram a loja online como lugar onde compram a comida do bicho. Lojas especializadas ficaram com 46%.
E cliente não falta: em 2019, 46,1% das casas brasileiras tinham cachorro e 19,3% tinham gato, segundo o IBGE.
"O Brasil é o 3º maior mercado pet do mundo" aparece em quase todo texto sobre o tema, sem ano. Fomos atrás: o 3º lugar em vendas é de 2023 (Euromonitor, via Abinpet). O que vale em 2026 é o 3º lugar em número de bichos: cerca de 167 milhões, segundo a Abempet.
Vender ração dá lucro?
Ninguém publica a margem da ração com fonte séria. O IBGE junta o pet shop com joalheria e loja de usados: nesse grupo, sobraram R$ 36,80 de cada R$ 100 vendidos em 2024, depois de pagar a mercadoria e antes de aluguel, frete e taxa. No supermercado, sobraram R$ 20,90.
A ração é o produto que traz o cliente de volta, mas cresce devagar: o pet food foi 53,1% do setor em 2025 e subiu só 1,59%. Petisco, higiene e acessório entram junto no mesmo pedido e ajudam a conta fechar.
O que vender primeiro numa loja pet online?
Comece pelo que acaba. No dia 13/10/2026, os 30 produtos pet mais vendidos da Amazon Brasil eram todos de recompra: sachê, areia, tapete higiênico, petisco, ração e antipulgas. Nenhuma roupa, cama ou brinquedo.
Os outros produtos vendem em época certa. No Google Trends dos últimos 5 anos, a busca por cada um tem pico em mês diferente:
Produto | Quando mais procuram | Cuidado |
|---|---|---|
Ração | O ano todo | Frete pelo peso |
Areia, tapete, petisco | O ano todo | Caixa grande pesa no frete |
Roupa e caminha | Maio e junho (frio) | Prepare o estoque em abril |
Antipulgas | Novembro a janeiro (calor) | Só com registro e veterinário |
Fantasia | Outubro e fevereiro | Fora disso, quase zero |
Brinquedo | Quase igual o ano todo | Sobe pouco em dezembro |
Quer comprar direto de fábrica ou distribuidor? Antes do primeiro Pix, confira o CNPJ e peça a nota: o roteiro está no artigo fornecedores para revenda.
Pode vender ração a granel?
Pode. A busca "é proibido vender ração a granel" vem de uma regra velha. Desde 08/07/2024 vale o Decreto 12.031, que trocou o regulamento antigo e criou a "venda a retalho": a loja abre o saco que veio fechado da fábrica, pesa e põe em porções sem rótulo, para quem vai usar.

O limite está no rótulo. Se você monta pacotes com a etiqueta da sua loja, isso é "fracionamento", e só fabricante registrado no Ministério da Agricultura (MAPA) pode fazer. Vender as porções para outra loja também exige registro.

Duas coisas para fazer certo:
Diga de onde veio. Em 2024, o Procon-SP multou pet shops por ração fracionada "sem a devida informação de origem". No anúncio e no pedido, escreva a marca, a linha e a validade do saco de onde saiu a porção.
Pese na loja, na hora de separar o pedido. O decreto fala da operação feita no estabelecimento e não trata de entrega em casa. Para quem vende a granel com entrega, o mais seguro é perguntar ao órgão de defesa agropecuária do seu estado.
Preciso de registro no MAPA para revender ração?
Não. Para o MAPA, o pet shop é "armazenador", e o decreto isenta o armazenador de registro. Perguntado se "lojas que apenas comercializam rações" precisam se registrar, o próprio ministério respondeu: "Não precisam de registro nem de preencher o relatório mensal". A loja continua sujeita à fiscalização.
Pode vender antipulgas e vermífugo pela internet?
Só se a loja tiver registro no MAPA, licença renovada todo ano e um médico-veterinário como responsável técnico. Antipulgas, vermífugo, antibiótico, hormônio e vacina são produtos "que necessitam de cuidados especiais" (Decreto 5.053/2004), e quem os vende entra nessa regra, mesmo sem fabricar nada.

O MAPA não cobra taxa pelo registro. Em MG, MS, MT, PR e SE, a loja ainda se cadastra no órgão estadual de defesa animal. E há duas regras a mais:
Antibiótico só pode ser vendido com receita do veterinário (IN MAPA 26/2009, art. 21).
Remédio controlado exige reter a receita e guardar o produto trancado, e a propaganda só pode sair em revista técnica (Portaria MAPA 837/2025, em vigor desde 02/01/2026). Na prática, não cabe numa loja virtual comum.
E o MEI? A ocupação de MEI para pet shop diz, com essas palavras: "(NÃO INCLUI A VENDA DE MEDICAMENTOS)". Não existe ocupação de MEI para remédio veterinário. Ração, petisco, brinquedo e acessório o MEI vende normalmente (CNAE 4789-0/04).
O CRMV pode exigir veterinário no meu pet shop?
Para quem só vende, não. O STJ decidiu em recurso repetitivo (Tema 616) que vender remédio veterinário e vender animais não são tarefas só de veterinário, e que essas empresas não precisam de registro no conselho nem contratar profissional.
Cuidado com a confusão: o STJ tirou a exigência do conselho (CRMV). A licença do MAPA para vender antipulgas e vermífugo vem de outra lei (Decreto-Lei 467/1969) e continua pedindo o veterinário responsável.
E as redes sociais e os marketplaces?
Mesmo com tudo em ordem, as plataformas têm regra própria. Facebook e Instagram não deixam anunciar remédio veterinário nem animal vivo (política de comércio da Meta). A política do WhatsApp Business, atualizada em 23/09/2026, proíbe vender medicamentos e animais vivos pelo aplicativo.
Na Shopee, remédio pet é categoria restrita a vendedor autorizado (regra atualizada em 16/09/2026), e remédio que exige receita é proibido. No iFood há a categoria "Medicamentos Veterinários", com CNPJ ativo.
Posso vender petisco caseiro para cachorro?
Pode, sem registro no MAPA, se cumprir as 6 condições do decreto. A principal: o petisco é feito com ingrediente de comida de gente, numa cozinha simples, sem prometer tratar doença e só para o Brasil.
Forno, fogão, geladeira, freezer, batedeira e estufa de bancada não obrigam registro. Estufa fixa, extrusora e ultracongelador obrigam (Ofício-Circular 12/2024 do MAPA).
Mastigável exige registro. Orelha, casco, pele e osso desidratados são "produto mastigável", e o fabricante tem de ser registrado.
"Ajuda a tratar" exige registro. Prometeu cuidar de doença, vira alimento coadjuvante, mesmo feito em casa.
O rótulo do petisco diz: "ESTE PRODUTO NÃO SUBSTITUI O ALIMENTO COMPLETO" (IN MAPA 30/2009).
Fórmula e rótulo são aprovados por um responsável técnico, mesmo no produto isento (Decreto 12.031, art. 49).
Antes de abrir a cozinha, confira também a regra da sua prefeitura. Ela não entrou nesta pesquisa.
E vender filhote pela internet?
É outro assunto, com outra lei, e as grandes vitrines fecham a porta. Instagram, Facebook, WhatsApp Business e Shopee proíbem anunciar animal vivo. O Mercado Livre permite animal doméstico, com ressalvas.
Em São Paulo, a Lei 17.972/2024 vale também para a venda "por plataformas digitais": CNPJ, cadastro estadual, microchip e idade mínima de 120 dias. O STF começou a julgar essa lei em setembro de 2026: o relator e mais 3 ministros votaram por baixar a idade para 60 dias, e o julgamento parou num pedido de vista. Até a decisão final, vale a lei como está.
Quanto custa o frete de um saco de ração?
O frete cobra o maior entre o peso da balança e o peso pela medida da caixa. Na ração, quem manda é a balança: um saco de 15 kg paga 15 kg. Na caminha, é o contrário: ela pesa pouco e paga pelo tamanho.

No Mercado Livre, a ração tem tabela de frete própria. Para um saco de 15 a 17 kg vendido a partir de R$ 79, com reputação verde e envio por coleta ou agência, o custo é R$ 39,68. O mesmo peso em outra categoria custa de R$ 48,95 a R$ 79,35. Vendedor novo, sem reputação, paga a tabela geral.
Na Shopee, o limite é 30 kg, mas a Entrega Rápida só leva até 10 kg. Para o saco grande, a entrega no bairro costuma sair mais em conta que qualquer correio, e o cliente recebe no mesmo dia. Saquinho, petisco e brinquedo vão bem pelo correio.
Vale vender no iFood, no Mercado Livre ou na Shopee?
Os três vendem ração e acessório, e cobram de jeitos diferentes. Os números abaixo são das páginas oficiais em 13/10/2026:
Canal | Quanto cobra | O que pede |
|---|---|---|
iFood, você entrega | 6% + 3,5% do pagamento online; R$ 130/mês só acima de R$ 1.800 | CNPJ ativo |
iFood, entregador deles | 14%; R$ 130/mês só acima de R$ 1.800 | Só em algumas regiões |
Mercado Livre | 10% a 14% (Clássico) ou 15% a 19% (Premium) | Frete de ração com tabela própria |
Shopee (CNPJ) | 20% + R$ 4,50 até R$ 79,99; 14% + R$ 26 a partir de R$ 200 | Até 30 kg por pacote |
Petlove e Cobasi vendem produtos de parceiros, mas em 13/10/2026 nenhuma das duas tinha página pública de cadastro de vendedor (a da Cobasi estava fora do ar). A conta completa de marketplace contra loja própria está no artigo loja própria ou marketplace.
Quanto tempo dura um saco de ração?
Dá para calcular: divida o peso do saco pela quantidade por dia que vem na tabela da embalagem. Um saco de 15 kg dura uns 3 meses para um cão de 10 kg. Para um gato de 4 kg, o saco de 2,7 kg dura umas 7 semanas.

Isso muda o jeito de vender. Você sabe, semanas antes, quando o cliente vai precisar de novo. Anote o tamanho do saco e o porte do bicho em cada pedido, e avise uns 5 a 7 dias antes de acabar. Quem lembra primeiro leva a venda.
Mensagem pronta para mandar no WhatsApp
Oi, Ana! A ração do Thor que você levou no dia 12/07 deve acabar perto do dia 10/10. Quer que eu separe outro saco igual? Entrego no seu bairro na quinta. É só responder SIM.
Mande só para quem já comprou e aceitou receber aviso da loja. A tabela da embalagem é uma média: idade, castração e sachê mudam a conta, então pergunte ao cliente se a última durou mais ou menos.
Os erros que mais custam
Anunciar antipulgas sem registro no MAPA. Vender produto de "cuidados especiais" sem licença é infração, mesmo revendendo da fábrica.
Pôr etiqueta da loja na ração pesada. Com rótulo próprio vira fracionamento, que é coisa de fabricante registrado.
Esconder de onde veio a porção. Marca, linha e validade do saco original vão no anúncio.
Dar frete grátis no saco de 15 kg sem fazer a conta. No peso da balança, o frete come a sobra da venda.
Vender produto vencido ou sem validade informada. As duas coisas estavam entre as infrações mais vistas pelo Procon-SP na operação de 2024.
Lembrar o cliente num dia fixo do mês. O certo é pela duração do saco que ele comprou.
Para quem este roteiro não basta
Este artigo é para quem revende produto pronto. Se você quer fabricar ração ou mastigável, a regra é de fabricante, com registro no MAPA. Remédio controlado pede veterinário e receita retida, e filhote tem lei própria em vários estados e cidades. Fale com o MAPA e com um contador antes.
Vai vender como MEI? A partir de 2027, o MEI emite nota em toda venda. Os detalhes estão no artigo vender com CPF ou MEI.
Como fazer isso na Sellit
Três passos deste artigo têm recurso pronto na Sellit:
Ração a granel: no produto fracionado você cadastra o preço do quilo e o cliente escolhe quantos gramas quer. A loja faz a conta e baixa o estoque em quilos. Pese a porção na loja, na hora de separar o pedido.
Saco pesado no bairro: o frete personalizado cria uma entrega própria por cidade ou por raio em km, com o seu preço e prazo, ao lado das transportadoras.
Aviso de que a ração vai acabar: nas automações, o momento "Pagamento confirmado" com o passo "Esperar" em dias manda o link do produto pelo WhatsApp na data certa. O "Esperar" não confere se o cliente já comprou de novo.
Tem pet shop com balcão e quer ver a loja pronta para o seu caso? Veja a página de loja virtual para pet shop.
De onde vêm os números
Abempet, Balanço 2025 do setor pet (fev/2026, apresentado ao MAPA em 23/04/2026): faturamento, segmentos e canais.
Abempet, estudo de população pet 2026, via Diário do Negócio (13/07/2026): 166,8 milhões de animais. Abinpet, Dados de mercado 2024 (out/2024, Euromonitor): 3º mercado em 2023.
IBGE, Pesquisa Nacional de Saúde 2019, tabelas 4930 e 4931: casas com cachorro e gato.
IBGE, Pesquisa Anual de Comércio 2024, tabela 10645: margem de comercialização por atividade.
Opinion Box, Mercado pet no Brasil (fev/2026, 1.078 tutores).
Amazon Brasil, Mais vendidos em Pet Shop (13/10/2026). Google Trends Brasil, 5 anos (10/2021 a 10/2026).
Decreto 12.031/2024 (alimentação animal) e MAPA, Perguntas e respostas do Decreto 12.031 (3ª ed., 01/08/2024), perguntas 84 e 122.
MAPA, Ofício-Circular 12/2024/DIPOA (comida caseira e mastigável) e IN 30/2009.
Procon-SP, Operação Pet Shop (22/04/2024).
Decreto-Lei 467/1969, Decreto 5.053/2004 e MAPA, perguntas do comerciante de produtos veterinários.
MAPA, IN 26/2009 (antimicrobianos) e Portaria 837/2025 (controle especial, DOU de 02/01/2026).
Receita Federal, Resolução CGSN 140/2018, Anexo XI (ocupações do MEI, redação da Res. CGSN 182/2025).
STJ, Tema repetitivo 616, REsp 1.338.942/SP (embargos no DJe de 04/05/2018).
Meta, Políticas de comércio: animais; WhatsApp, Business Messaging Policy (23/09/2026); Shopee, produtos proibidos e restritos (06/08/2026) e artigo 12544 (16/09/2026).
São Paulo, Lei 17.972/2024; STF, ADI 7704 (sessão de 11 a 18/09/2026); Mercado Livre, categoria Animais.
Correios, encomendas nacionais e termo de condições de SEDEX e PAC (08/04/2026); Mercado Livre, ajuda 4413, 40525, 39113 e 1338; Shopee, artigos 3305 e 26839.
iFood, Parceiros: Pet Shop e Multicategorias (13/10/2026).
Tabelas de quantidade diária: Pedigree Nutrição Essencial e Whiskas Carne Adultos (sites oficiais, 13/10/2026).
Fotos: geradas com a IA de imagem da Sellit.
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Perguntas frequentes
- É proibido vender ração a granel?
- Não. Desde 08/07/2024, o Decreto 12.031 permite a "venda a retalho": o pet shop abre o saco que veio fechado da fábrica, pesa e vende a porção sem rótulo para quem vai usar. Se a loja puser rótulo próprio, vira fracionamento, que só fabricante registrado no MAPA pode fazer. Informe a marca e a validade do saco de origem.
- Pet shop precisa de veterinário responsável?
- Para vender ração, petisco e acessório, não. O STJ (Tema 616) decidiu que o CRMV não pode exigir registro nem veterinário de quem só vende. Mas para vender antipulgas, vermífugo, antibiótico e vacina a loja precisa de registro no MAPA, e esse registro pede um médico-veterinário como responsável técnico.
- MEI pode vender remédio veterinário?
- Não. A ocupação de MEI para pet shop (CNAE 4789-0/04) diz "não inclui a venda de medicamentos", e não há ocupação de MEI para remédio veterinário. O MEI pode vender ração, petisco, brinquedo, cama, roupa e acessório.
- Vender ração pela internet dá lucro?
- Dá, se a conta do frete fechar. A ração traz o cliente de volta a cada 2 ou 3 meses, mas cresce devagar (o pet food subiu 1,59% em 2025, segundo a Abempet) e o saco de 15 kg paga frete pelo peso. Venda junto petisco, higiene e acessório, e entregue o saco grande no bairro.
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